quinta-feira, 19 de março de 2009

PREVIDÊNCIA PRIVADA PARA MENORES

Seguradoras investem em previdência para menores
Empresas buscam atrair clientela mirim e apostam na expansão do segmento
Ana Paula Ribeiro - AE
As incertezas em relação ao futuro da economia fazem com que as seguradoras fiquem receosas em fazer previsões de crescimento. Mas entre as que trabalham com seguros previdenciários para crianças e adolescentes há a crença de que esse segmento continuará em expansão, com um desempenho superior ao do mercado.
Dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) mostram que os planos de previdência para menores apresentavam até novembro um crescimento de 29,5%, com uma captação de R$ 2,2 bilhões. Já o crescimento do mercado geral de previdência complementar foi mais modesto, 12,7%, faturando R$ 27,3 bilhões.
O desempenho do ano passado não deverá se repetir, mas as empresas que possuem esse produto devem investir em educação financeira, aproveitando que em momentos de crise uma parcela da população procura produtos para acumular reservas. O esforço é justificado pela representatividade que esses planos possuem em algumas seguradoras. É o caso da Brasilprev Seguros e Previdência, pioneira na oferta desse produto. O Brasilprev Júnior já foi comercializado para cerca de 500 mil clientes, mais de 40% do total de planos da companhia. A contribuição mínima é de R$ 25.
Faculdade
Assim como em outros planos de previdência, os da categoria menor recebem contribuições que serão acumuladas por um determino período. Após esse prazo, que em geral vai até o beneficiário completar 21 anos, os recursos são resgatados. O argumento dessas seguradoras é que, com um pequeno valor mensal, é possível no futuro garantir o pagamento da faculdade para os filhos ou um curso de especialização.
Para tornar o produto mais atrativo, as seguradoras têm retirado parcialmente as taxas de carregamento. Nos primeiros planos desse modelo, um porcentual mensal era descontado da contribuição, o que no final corroía parte da reservas acumulada. Os planos mais recentes alteraram essa cobrança. É o caso do Educaprev da SulAmérica. Nele, essa taxa é cobrada somente no resgate e, caso o plano seja pago por ao menos cinco anos, o cliente está isento da tarifa. A depender do valor acumulado, também não há essa cobrança, mesmo que o saque seja feito antes dos 60 meses. As taxas de administração variam entre 1,5% e 2,5% ao ano.
O superintendente técnico previdenciário da SulAmérica, Gustavo Brandão, acredita que a previdência para menor é um bom filão para as seguradoras, do qual ninguém quer ficar de fora. O executivo avalia que cada vez mais os clientes pensarão em formas de poupar no longo prazo e esse produto se enquadra no objetivo.
Perfil
Os clientes que optam por esse tipo de investimento também têm como escolher em qual perfil se enquadram. O CitiPrevidência Kids, oferecido em parceria com a Metlife, dá a opção de três - conservador, moderado e agressivo - e a contribuição mensal mínima é de R$ 50. O investidor pode ainda alterar a opção quando precisar. Como nos planos de outras empresas, a educação financeira é colocada como um atrativo, em que o responsável é estimulado a conversar com o menor sobre aquele esforço em poupar. Os extratos, por exemplo, são voltados para atrair a atenção de crianças, com o uso de figuras do personagem Snoopy.
Esse produto agradou tanto que superou as expectativas de venda. Segundo o diretor executivo comercial da Metlife, Robert Craddock, só no primeiro mês de venda, julho do ano passado, a rede de agências do Citi comercializou um volume de planos previsto para ser alcançado só em dezembro. O número não foi revelado. Em 2008 o resultado ficou 300% acima do planejado.
Essa reportagem foi originalmente publicada no AE Empresas e Setores, serviço de informações e análises sobre o setor corporativo da Agência Estado.

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