Mostrando postagens com marcador adolescentes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador adolescentes. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Aprenda com quem já passou pela experiência



Imagem extraída do site http://comunidade.papasiri.com
Da próxima vez que seu avô, sua avó, seu pai ou sua mãe lhe disserem: "Eu sei das coisas porque eu tenho mais experiência" e tal. Não duvide. 

O que bate para os mais jovens como chateação, como "praga de mãe" ou "banho de água fria do pai", é apenas o conjunto de dados armazenados pela experiência e percepções de quem já aprendeu muito na "Escola da Vida" entrando em ação. 
E, ao invés de ficar de bico e se trancar no quarto, conspirando sozinho, o momento deveria ser aproveitado para uma aprendizagem única até para entender o porque daquela negativa: "Então, conte-me como foi a sua experiência com relação a isso?", " Por que você acha que o que não serviu para você, poderá não servir para mim também?", "E se tentássemos, então, juntos, achar outros caminhos. Podemos tentar? O que você acha?"

Será surpreendente ouvir as histórias que esses senhores e senhoras tem para  lhe contar e, melhor, ensinar.

Afinal, aprender com quem já passou pela experiência nos oferece um atalho para uma outra perspectiva: sabermos exatamente o que não iremos querer para nós.

Pense na riqueza da oportunidade e no prazer de quem está tendo a chance de mostrar caminhos a serem escolhidos.

Leia o que Robert Kiyosaki tem para nos contar sobre o erro que ele cometeu com o primeiro negócio que teve na vida e aprenda a aprender até com o erro dos outros.

Ao seu sucesso.

Robert Kiyosaki: "Resisti a fechar a fábrica"

O investidor Robert Kiyosaki conta como, na ânsia de enriquecer rápido, quase prejudicou seus empregados e fornecedores

ROBERT KIYOSAKI (EM DEPOIMENTO A MARCOS CORONATO)

|
|
ROBERT KIYOSAKI O investidor americano Robert Kiyosaki é coautor de Pai rico, pai pobre. Seu livro mais recente é O toque de midas (Editora Campus/Elsevier), escrito com o empresário Donald Trump (Foto: Mark Peterman/ZUMA Press)
"Meu primeiro negócio foi uma fábrica de carteiras de velcro. Estávamos atrás das licenças de nomes de bandas de rock para colocá-los nas carteiras, em 1977. Licenciei gente do mundo todo para fabricar o produto. Era um negócio multimilionário. Infelizmente, eu e meus sócios o administramos muito mal, e a fábrica quebrou.
Tínhamos um custo muito alto e muitos funcionários. Por isso, precisávamos de bastante dinheiro, mês a mês, apenas para funcionar. O tempo passava e não conseguíamos receber o dinheiro dos licenciados. Estávamos apenas perdendo dinheiro, pagando as contas. Corríamos o risco de não conseguir pagar nem os salários dos funcionários. Continuamos pensando ‘conseguiremos resolver isso’, mas o negócio estava morto. Só não admitíamos. Meu pai olhou nossas contas e afirmou de forma bem direta: ‘Ou vocês são vigaristas, ou burros... ou os dois’.
Pessoalmente, meu desejo de ser rico e bem-sucedido chegou a me fazer considerar escolhas que, se postas em prática, não teriam sido honestas comigo mesmo. Apenas para manter o negócio funcionando, estávamos adiando o pagamento a pessoas a quem devíamos dinheiro. Muita gente poderia ter sofrido, financeiramente. Felizmente, fiz o que era certo. Integridade é muito mais importante que o sucesso momentâneo ou o aparente sucesso. Os vigaristas sempre perdem no final.
l
Depois da conversa com meu pai, eu e meus sócios fizemos o que era preciso – liquidamos o negócio, pagamos os fornecedores e honramos a folha de pagamentos. Aprendi a ser honesto comigo mesmo, com meu negócio e minha falta de liderança. Queria tanto ser bem-sucedido que ignorei a realidade, e a empreitada virou um erro. Como em todos os erros, aprendi muito. Aquela falha me ajudou a ser mais bem-sucedido depois. A maior lição que aprendi foi que integridade é a qualidade mais importante para um empreendedor e investidor. A segunda maior lição foi prestar muita atenção à saúde de meus empreendimentos e investimentos. E ser brutalmente honesto sobre isso. Agora, consigo identificar problemas de longe e cuidar deles antes que cresçam a ponto de matar um negócio."
Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2012/12/robert-kiyosaki-resisti-fechar-fabrica.html

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O seu pé de meia é mágico ou é furado?

Capa do livro O Pé de Meia Mágico, do autor Álvaro Modernell

"Um pouco de conhecimento que age vale infinitamente mais do que conhecimento que é ocioso." ~ Khalil Gibran


Já se pagou primeiro este mês? 

Pagar-se primeiro significa separar uma quantia de dinheiro para fazer o famoso "pé de meia" ANTES de sair pagando os outros e não depois de pagar os outros, porque "depois" talvez não sobre para fazer o seu pé de meia.

"Mas se eu me pagar primeiro vou deixar de pagar alguma conta!!"

Então, é hora de começar a fazer uma planilha para visualizar os seus gastos e ver se é possível gerar alguma economia entre as coisas que você está gastando.

Lembre-se: se é seu desejo, futuramente, trabalhar apenas porque quer e não mais porque precisa e quer continuar vivendo no estilo de vida que você escolher viver, vai precisar dar uma força a você mesmo a partir de agora.

Para começar a transmitir bons hábitos financeiros às suas crianças, indicamos o livro de autoria de Alvaro Modernell, " O Pé de Meia Mágico".


Ao seu sucesso financeiro.

domingo, 30 de outubro de 2011

Pais podem ensinar os filhos como administrar o dinheiro

Fonte: Jornal Diároweb

É de criança que se aprende
São José do Rio Preto, 30 de Outubro, 2011 - 1:47
Liza Mirella
Guilherme Baffi
 
É a partir da infância que o trato com o dinheiro
vai moldar como o adulto vai lidar com esse
bem tão valioso. Por isso, a educação financeira
deve ser inserida na vida das crianças logo cedo.
A educadora financeira Silvia Alambert, da
The Money Camp, afirma que o assunto deve
ser tratado com naturalidade e não como
uma obrigação. Mais que isso, se o dinheiro
for visto como motivo de tristeza pode causar graves consequências na
vida adulta. “Essas crenças que a gente carrega têm grande interferência
no modo como fazemos dinheiro ao longo da vida.
” Isso quer dizer que a criança pode se transformar num adulto que
sabe administrar seus recursos ou em um que gasta além de conta
e vive em meio a dívidas.

O assunto dinheiro pode entrar na vida de uma pessoa a partir dos 3 anos
ou 4 anos. Nessa fase, o ideal é que a criança passe a ter contato com
o dinheiro, possa manuseá-lo e o utilize para alguns pagamentos.
Segundo Silvia, embora não haja uma compreensão profunda, a criança já
passa a absorver algumas noções.
“Ela pega o produto, paga com dinheiro, recebe um troco”, afirma.
Outro exercício interessante e que funciona como aprendizado é pegar
as moedas que recebeu de troco para guardar no cofrinho.
“A criança passa a entender que parte do dinheiro a gente gasta e parte
a gente guarda”, diz.

Segundo Silvia, o dinheiro é visto pela criança como uma ferramenta de troca.
Ela entende que a moeda é um instrumento que a faz obter coisas.
Em função disso, é necessário que aprenda desde cedo que o dinheiro
só serve para alcançar sonhos, é um meio na vida e não uma finalidade única.
“A conversa entre pai e filho deve ser natural, conforme a situação vai
acontecendo. O papo não pode se tornar chato para que a criança nunca mais
queira tocar no assunto e passe a administrá-lo de qualquer jeito.”

Depois do contato inicial com moedas e cédulas, entra a etapa de os pais
discutirem desejos e necessidades dos filhos e isso ocorre à medida que
as crianças vão crescendo. Mais uma vez, o diálogo entra em cena e as
crianças devem ser questionadas sobre o que querem gastar naquele
momento porque pode surgir outro desejo na semana, mais caro.
“É preciso discutir se não é melhor esperar e fazer uma escolha entre
os dois”, ensina.

Mesada

A ferramenta mais importante da educação financeira das crianças, a mesada,
pode entrar na vida da criança a partir dos 5 anos. Silvia explica que ela é
fundamental porque só quem tem dinheiro pode administrá-lo. Mas, nessa
fase, ela ainda é semanada, já que um mês é um prazo muito longo para ser
entendido por crianças dessa faixa etária. O valor da semanada deve ser
decidido de acordo com o orçamento da família e adequado à idade.
Uma sugestão está na faixa de R$ 5 a R$ 10.
“Uma criança de cinco anos não tem grandes necessidades, mas ela
sempre quer um docinho, uma figurinha, um álbum”, diz.

A ideia da semanada ou mesada é para ensinar a criança que ela tem
de administrar o dinheiro durante esse período e que, se acabar, acabou.
Vai ser preciso esperar a data estipulada pelos pais para o próximo
recebimento. Nesse sentido, duas premissas são fundamentais aos pais:
cumprir o que foi acordado e não falhar, dizendo que naquela semana ele
não tem dinheiro e, do mesmo modo, não ceder e dar mais dinheiro se a
criança pedir.

Segundo Silvia, se a criança pedir mais, o pai deve dizer de forma simples
que as pessoas não têm dinheiro a toda a hora, que ele não acontece de
forma mágica e que os adultos também têm um dia em que recebem,
assim como o acordo feito entre os dois. E, se a criança receber a mais, ela
terá a sensação de que tem facilidade de crédito.
“A criança precisa entender que o dinheiro mal administrado acaba.
A maioria dos adultos se enrola porque pede empréstimos a toda hora”, afirma.

Aos 9 já dá para administrar a mesada

A partir dos 9 anos, afirma Silvia Alambert, a criança já tem total capacidade
de administrar uma mesada. Novamente, o valor vai ser determinado de
acordo com as condições da família, mas ele não deve ser tão baixo que
exclua a criança do meio social em que vive e nem tão alto que não a
permita se planejar para conseguir seus sonhos.
Nessa idade, as necessidades da criança mudam. Ela passa a querer sair
com amigos para passeios no shopping e lanches com a turma.
O dinheiro que o pai usava para pagar essas despesas deve ser entregue
à criança.

Agora vem uma dica interessante e que pode até causar estranheza:
o pai deve deixar a criança quebrar financeiramente no começo para que
ela possa sentir que é ruim ficar sem dinheiro.
“Com isso, ela tem a real percepção de que se não administrar bem o
dinheiro, fica sem”, afirma.
A educadora afirma que essa experiência de falência faz com que a
criança passe a lidar melhor com o dinheiro, principalmente se já
 vinha recebendo os ensinamentos anteriormente.
As chances de quebrar novamente caem e as de ter sobra aumentam.
“A criança tem uma percepção grande. Rapidamente entende que
se acabou, magoou.”

Silvia dá um exemplo de como a percepção infantil é sólida.
Um de seus alunos queria tomar café da manhã todos os dias na
padaria quando o dinheiro era da mãe. Quando ela passou a entregar
o dinheiro a ele, a padaria ficou sem graça.
Hoje, ele usa o dinheiro com coisas que julga mais interessante.
Também não fica quebrado financeiramente porque já aprendeu
que é bom gastar um pouco e guardar um pouco.

Conta no banco

A abertura de uma conta bancária para a criança deve ocorrer,
se possível, antes mesmo de seu nascimento. Essa reserva ajuda os
pais a conduzir a criação e educação do filho.
Quando a decisão é na infância, segundo Silvia, o fundamental é
que os pais tenham paciência para educar o filho financeiramente.
Isso pode ocorrer aos dez anos, com uma conta poupança.
 “A criança vai movimentar com auxílio dos pais. Ela não fica com o
cartão porque ainda não discernimento e pode perdê-lo”.

A entrada do cartão de crédito na vida da pessoa não deve ocorrer
antes dos 15, 16 anos. Nessa idade, o adolescente já tem mais
responsabilidades na vida e pode começar a manusear e aprender
a utilização o cartão de crédito.
Embora esteja havendo a substituição pelo dinheiro de plástico,
é mais fácil gastar o que não se vê, afirma Silvia.
“O cartão engana o cérebro e a pessoa acha que o limite disponível
é seu dinheiro.”

Famílias tentam educar os filhos

A educação financeira das crianças da família Masocatto Andrade Pereira
começou cedo. Thales, 9 anos, David, 7, e Caio, 5, já têm seus cofrinhos
 e administram suas semanadas, cada um a sua maneira e de acordo
com a faixa etária. A mãe, Ana Masocatto Andrade, conta que os filhos
recebem R$ 10 por semana. “O assunto entrou na vida deles quando
eles começaram a pedir coisas. Entendemos que era hora de ensinar
que era preciso poupar para conseguir”, afirma.

Como ainda não têm muito cuidado com o dinheiro, a mãe montou
a estratégia de pagar e descontar o débito do saldo cada um.
“Eles não gastam muito, gostam de guardar. É impressionante
como as crianças têm a capacidade de aprender.”
Para David, o dinheiro é o que o ajuda a comprar as coisas que quer.
Hoje, tem R$ 200 guardados. Faltam apenas R$ 39 para comprar o
brinquedo que deseja no Natal. “Gosto de comprar brinquedos e livros.”

Perfis diferentes

Na casa de Ana Laura Zanardi Anunciação, 8 anos, e Victor Hugo, 13,
a educação financeira começou cedo para evitar que fossem
enganados. “Desde pequenos eles já conheciam as notas,
sabiam distinguir os valores e tinham noção de troco”, explica a mãe,
Marisa Zanardi.

Ela conta com os dois filhos têm perfis bastante diferentes.
Ana Laura é a econômica, tanto que já juntou mais de R$ 1 mil.
“Ainda não sei como vou gastar o dinheiro, mas estou guardando
e fico feliz em juntar”, afirma. Victor Hugo é mais consumista.
Seus principais desejos são relacionados ao esporte predileto, o tênis,
e acessórios para o celular. Mesmo assim, procura não extrapolar.
“Se acaba a mesada, fico sem dinheiro e espero receber”.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A Escola Frente à Mídia

Imagem: dreamstime.com


O problema de ontem continua hoje. Vamos voltar à reflexão.

Como a escola pode ajudar as crianças frente à TV? Como educar a leitura que elas fazem da TV?

O primeiro passo é, sem dúvida, conhecer os programas a que elas mais se apegam. Estudar-lhes as características e os aspectos que mais as impressionam.

Proibir, simplesmente, não é o caminho. A proibição só vai aguçar a curiosidade, a vontade de assistir-lhes. Ao proibir, é preciso explicar as razões. Manter com as crianças uma aprendizagem crítica, uma aprendizagem do pensamento divergente. Ensinar a criança a questionar, a duvidar, a encontrar outras saídas, diferentes das apresentadas no filme. Duvidar do que se vê é um bom exercício mental, dizem os psicólogos. A atitude reflexiva favorece a elaboração de exercícios mentais, que a criança pode exercitar ao assistir aos filmes, aos desenhos.

Uma boa estratégia é encaminhar a criança para uma esclarecida interpretação. Professor e aluno raciocinando juntos, a criança sendo encaminhada à ponderação, a exaltar ações que conduzem ao amor, ao bem.

Uma outra preocupação dos pais e dos professores é com os jogos eletrônicos. Até que ponto os videogames viciam e o que fazer? Especialistas da área de tecnologia dizem que a escolha dos jogos não pode ser aleatória. Eles devem ser relacionados segundo as características de cada criança, considerando, também, os aspectos socioculturais , educativos e psicológicos.

Os videogames têm seu lado positivo e negativo. É uma questão de regra e limites, que vale para o videogame, a TV, o computador, a Internet. Crianças que jogam de forma compulsiva sofrem os malefícios decorrentes, como sua exclusão do convívio social, o descumprimento de suas obrigações, dos efeitos colaterais orgânicos, como irritação dos olhos, excitação, insônia, principalmente quando os jogos são muito violentos.

Com horário e disciplina, os jogos podem trazer benefícios. Confirmam os especialistas que videogames e jogos para computador são excelentes para o desenvolvimento cognitivo. Desenvolvem a percepção, a memória visual e auditiva, a rapidez, o raciocínio, a capacidade de solucionar problemas e, até mesmo, a socialização, quando jogados via Internet.

Em tudo, não há modelo único de educação. Vai depender de cada criança. As regras e os limites devem ser passados dentro dos conceitos éticos, morais, culturais de cada sociedade, de cada família. O importante é conhecer a criança que se tem à frente para ser educada e agir de acordo com cada caso. Para impor limite aos videogames, ao computador, estuda-se a melhor forma, como programar atividades compartilhadas, passeios, esportes, diálogo... Disciplinar os horários, conscientizá-los da hora de estudar, de dormir e de brincar, é imprescindível. Videogame, por exemplo, só depois da lição de casa feita.

Com a finalidade de evitar a violência do jogo, a prática de atos sexuais e desvirtuamento de valores éticos e morais, o Ministério da Justiça definiu a norma de que todos os cartuchos e CDs, de games, tragam, em suas embalagens, um selo de classificação etária.

O Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento – CAD --, clínica formada por uma equipe multidisciplinar da capital, explicitou regras úteis para o aconselhamento e à aprendizagem de crianças e de jovens.

Dos 3 aos 7 anos: as regras são externas à criança, que espera que os adultos lhe dêem ordens. Aproveite a fase para fixar bem a rotina e estabelecer hábitos saudáveis;

Dos 7 aos 12 anos: a criança começa a internalizar as regras. Explique os porquês de suas exigências, sem abrir mão delas. Ela espera esse limite do adulto. É uma boa fase para trabalhar direitos e deveres, estabelecer horários das atividades escolares, de lazer e sono;

Dos 12 anos em diante: o jovem já deve ter adquirido autonomia e capacidade de pensar os valores por si mesmo.

Diálogo é essencial. O jovem deve participar da construção e/ou reformulação das regras para poder organizar sua própria vida. Vai exigir coerência dos pais e dos educadores e um compromisso recíproco de respeito às regras.

* Supervisora de ensino aposentada.
(Publicado em julho/2006)

Outras publicações sobre o tema no blog:

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Aprender sobre finanças é divertido.

Imagem: Divulgação IG

Nathália Ilovatte, iG São Paulo
29/08 - 14:24hs


Adolescentes aprendem sobre finanças pessoais em gincanas no Money Camp
Você planeja seus gastos? Usa sua grana racionalmente? Se acha as questões chatas, saiba que tem jovens se divertindo com elas
                                                                           Enquanto o time laranja corria para levar água até os potes no canto da quadra com a ajuda de um balde furado, o time azul gritava para incentivar seu integrante que levava uma bolinha de isopor em uma colher segurada com à boca até os recipientes próximos à rede de vôlei. O time que terminasse primeiro tinha que correr para trocar de lugar com a equipe verde, que passava bolas de borracha coloridas que só podiam ser conduzidas com o pescoço, passando de pessoa para pessoa, até chegar ao prato que está no fim da fila.
Parecia gincana da aula de educação física, mas era o workshop de educação financeira que os alunos do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Campos Salles, de São Paulo, tiveram na última semana. A princípio, eles voltaram para a escola no período da tarde porque foram “subornados” pela coordenação com alguns pontinhos que podem ajudar na média de matérias mais capciosas da grade curricular. Mas, quando chegaram à aula de finanças pessoais e Silvia deu início a uma brincadeira de pega-pega em que a pegadora tem de pular com os pés amarrados, a preguiça sumiu, dando lugar a um aprendizado cheio de brincadeiras e descontração. “Estranhei quando falaram pra vir com roupas que não atrapalham os movimentos, porque imaginei que seria uma palestra, uma coisa chata... Mas me surpreendi bastante e achei a aula muito legal”, disse o aluno Henrique Silva Pedroso, de 17 anos.

O workshop foi ministrado pela equipe do The Money Camp, uma ideia que nasceu há 10 anos nos Estados Unidos. Lá, o The Money Camp é um acampamento cujas atividades são voltadas para a educação financeira. Quando foi trazido para o Brasil, em 2006, passou por algumas adaptações. Aqui, não há um acampamento, a equipe vai a colégios e empresas para workshops ou para o curso continuado, que começa no Ensino Fundamental e acompanha o desenvolvimento do aluno. Mas, assim como no acampamento, tudo é ensinado de maneira divertida e com brincadeiras. “A educação financeira é feita de forma lúdica, com atividades vivenciais que possibilitam a troca de experiências. O método é próximo do construtivismo, pois o professor atua como um facilitador do tema”, explica Silvia Alambert, empresária que trouxe o The Money Camp para o Brasil.

Nas aulas, Silvia ensina às crianças e jovens que uma parcela de todo dinheiro recebido, como salário ou como mesada, por menor que seja, deve ser investida. E em alguns anos, é esse dinheiro investido que vai trabalhar para o seu investidor, que poderá passar longas férias em Acapulco, se dedicar à filantropia e curtir a vida da maneira que desejar. “É muito importante que vocês comecem a pensar na educação financeira de vocês anteontem. Na verdade, vocês já estão atrasados, porque tem uma galera começando aos seis anos e já investindo em ações”, disse Silvia aos alunos, no começo do workshop. “Acho que eles vão se aposentar e curtir a vida adoidado antes de vocês!”.



As noções de por que e como investir não são passadas aos alunos somente de maneira teórica. Foi o pega-pega do começo do workshop que mostrou isso aos jovens. Na brincadeira, uma das alunas, Bruna Lugli Rocha, de 16 anos, tinha que correr atrás de dez amigos para pegá-los, só que com os pés amarrados. Bruna representava o trabalhador, e os pés amarrados significavam a falta de liberdade para trabalhar só quando quiser e tirar umas folguinhas durante a semana para assistir a Sessão da Tarde. Já os meninos correndo livres pela sala eram o dinheiro que Bruna passava a vida correndo atrás. Quando finalmente conseguiu pegar um dinheirinho, ela investiu e, depois de algum tempo, pôde descansar enquanto o dinheiro corria atrás de mais dinheiro pelo auditório do colégio.



Depois de muitas risadas e um tombo de um dos ligeiros dinheirinhos de Bruna, Silvia explicou a brincadeira. “Quando Bruna ralava pra caramba, e trabalhava todos os dias, ela tinha renda adquirida”, ensinou. “Mas quando o dinheiro passou a trabalhar pelo trabalhador e fazer mais dinheiro, e a Bruna ficou só curtindo, porque se planejou para viver assim, ela começou a ter renda passiva”.



No workshop e no curso continuado, os alunos aprendem não só a importância de investir, mas também a fazer um planejamento, gastar com sabedoria, conquistar independência financeira e ser solidário. E para quem quiser começar a botar ordem nas finanças, a empresária e educadora financeira dá algumas sugestões:

- Pague-se primeiro. Antes de gastar qualquer dinheiro com contas e outras despesas, reserve 10% do que você recebeu para fazer algum investimento. “Você é quem mais merece ser pago”, diz;

- Administre sempre seu dinheiro com razão, não com emoção. “É quando agimos emocionalmente que cometemos os maiores erros”, explica. Por isso, nada de comprar por impulso! Ok, só um pouquinho...

- Seja disciplinado e crie bons hábitos com o seu dinheiro. “As pessoas pagam as contas e aí é que veem quanto sobrou. Então, acham que essa quantia representa uma merreca que não é digna de trabalhar por elas”, critica;

- Mesmo que seja tentador pedir o cartão de crédito do pai para parcelar aquele computador novo, pense que quem tem dinheiro, tem poder de barganha, e quem financia dá dinheiro para os outros por causa dos juros. Então, o melhor é economizar até ter dinheiro para pagar a vista, em vez de comprar a prazo;



- Se você não ganha mesada, peça aos seus pais que pensem sobre isso. “Quando os adolescentes percebem que é difícil esperar para receber dinheiro, valorizam mais o dos pais e gastam menos com supérfluos”, afirma Silvia;



- Empréstimos só são bons se servirem para trazer mais dinheiro para a sua vida;

- Faça sempre uma planilha de gastos;

- Na hora de comprar, pesquise preços e pense se aquele produto é realmente uma necessidade nesse momento da sua vida. Se ele for causar um baque na sua vida financeira, melhor comprá-lo depois, quando já tiver juntado mais dinheiro;

- Pense sobre o valor das coisas que você compra. Alguns tênis, por exemplo, têm um custo de produção de 55 dólares e são vendidos no Brasil por mais de 300 reais. Vale a pena pagar tanto por uma marca?

Fonte: http://jovem.ig.com.br/oscuecas/noticia/2010/08/29/adolescentes+aprendem+sobre+financas+pessoais+em+gincanas+no+money+camp+9575727.html





domingo, 9 de maio de 2010

Permita o crescimento de seu filho.

Julho está chegando...de novo.
É inacreditável como o tempo passa tão rápido.
Com as férias chegando, começamos novamente a ter a preocupação sobre o que fazer com os nossos jovens para que não passem as férias grudados no computador ou deitados assistindo televisão o dia inteiro ou que não fiquem pedindo dinheiro o tempo inteiro para "sassaricar" pra lá e pra cá o dia inteiro.
É natural, são jovens e sem ter o que fazer, ficam muuuiiiito entediados.

Nestes anos trabalhando com crianças e jovens (mas principalmente, sendo mãe) sei  quanta energia esta garotada dispõe em todos os sentidos: para brincar, para consumir, para ficar acordado, para ficar jogando PS´s, DS´s e outras tecnologias disponíveis.

Há 4 anos venho promovendo o acampamento de educação financeira entre crianças e jovens e percebo o quanto de energia e conhecimento eles possuem e como é inacreditável que durante o período em que ficam conosco, eles nem se lembram da existência dessas outras atividades, já que experimentam uma oportunidade super nova na vida deles: o contato intenso com a natureza, as dinâmicas, as baladas temáticas diárias, as atividades radicais e todos os ensinamentos que são recebidos e compartilhados naturalmente entre todos  e atrelados a toda essa diversão.

Também pudera: é adrenalina o dia inteiro, se divertem intensamente das 7hs da manhã até às 0hs, tem a oportunidade de conhecer pessoas novas e, assim, criam novas redes sociais, ampliam o conhecimento sobre assuntos e temas diversos, deixam a zona de conforto do lar e "caem" na vida, tendo que ter a responsabilidade de cuidar de suas próprias coisas, cuidar do meio ambiente, do próximo, conviver com as diferenças, liderar grupos, desafiar o que julgam impossível e passam pela experiência mais maravilhosa da vida: viver e ser grato por todas as oportunidades que a vida oferece (mesmo que pareça difícil, às vezes).

Independentemente de nosso acampamento de férias, sou adepta que os jovens passem pela vivência de um acampamento, intercâmbio ou alguma forma que os permita entender a realidade da vida por eles mesmos, antes de atingirem a idade adulta.

Esta experiência possibilita um encontro isolado, mas ao mesmo tempo, compartilhado e orientado, consigo mesmo e é impagável o ganho que eles demonstram: o aumento da confiança em si próprios, a melhora da auto estima, a força interior, a idealização de onde pretendem chegar...são inúmeros os fatores benéficos oriundos desta experiência de vida.

Perguntas como " quem sou", "onde estou" ou " para onde vou" parecem ficar mais claras para jovens que vivem esta oportunidade, pois passam a entender que a direção de suas vidas só dependerá das escolhas deles, por mais que nós pais os orientemos com relação ao seu futuro.

Minha filha mesma, participa de acampamentos de férias no inverno e no verão desde os 7 anos de idade (e, não, ela não vai só ao acampamento da Money Camp, embora, por ela, queira estar em todos).
É óbvio que me certifico de todos os detalhes sobre o local onde ela estará indo (na primeira vez, ela viajou com a prima da mesma idade para se sentir mais segura).

Haverá um tempo em que eles crescem e querem ( e tem que) viver a vida deles.
Para nós pais, a desculpa de dizer que ainda está muito cedo para experimentarem a vida longe de nós é sempre mais confortável, assim os temos sempre sob nossa asa, mas e quanto a eles?

É melhor que sejam preparados para este encontro com a vida real desde cedo, para que não se vejam à deriva ou perdidos ou, ainda, muito dependentes de nós pais, que, infelizmente, não somos eternos.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Educando com Maestria

Imagem: meusrecados.com

Educação Orquestrada e Crescimento Silvestre

Por Içami Tiba

Nossos filhos carregam os nossos sonhos. Todos os cuidados com eles devem ser orquestrados para que no futuro sejam felizes e tenham sucesso. A esses cuidados chamo de Educação Orquestrada. Seu oposto é o filho largado à própria sorte, sem garantias futuras, o crescimento silvestre.

Os leitores podem encontram nos livros de minha autoria mais detalhes sobre a educação orquestrada, principalmente no Família de Alta Performance: Conceitos Contemporâneos na Educação. Hoje quero lhes passar sobre crescimento silvestre na primeira infância.

Pelo site www.primeirainfancia.org.br/, no artigo "Breve Panorama sobre a Primeira Infância no Brasil" (2007), de autoria de Gabriela Azevedo de Aguiar, Gary Barker , Marcos Nascimento e Márcio Segundo, constam: “É até os 6 anos de idade que as estruturas físicas e intelectuais de crescimento e aprendizagem emergem e começam a estabelecer suas fundações para o resto da vida da pessoa”; “...os primeiros três anos de vida são fundamentais para que a criança tenha uma vida saudável e possa se desenvolver plenamente.”; “... as crianças necessitam de cuidados específicos como: proteção; alimentação adequada; medidas de saúde (como imunizações e higiene), estimulação sensorial e sentirem-se amadas pelos pais e/ou cuidadores ativos. Até os 3 anos de idade, as crianças adquirem habilidades motoras, cognitivas, linguagem e aprendem a ter auto-controle e independência por meio da experimentação e brincadeiras...” e “...mais da metade do potencial intelectual infantil já está estabelecido aos 4 anos de idade.

Porém, as experiências de crescimento e desenvolvimento das crianças na primeira infância variam de acordo com suas características individuais, gênero, condições de vida, organização familiar, cuidados proporcionados e sistemas educacionais (UNICEF, 2005).”

Meu foco neste artigo são as causas dos acidentes e mortes dos filhos nesta primeira infância. São do IBGE e do Ministério de Saúde por meio do Sistema de Informações sobre mortalidade (SIM/MS) e do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) os dados:

Causas de Morte

•até 1 ano de idade:

1.Sufocação;

2.Queda;

3.Passageiro de veículo;

4.Afogamento;

5.Queimaduras com fogo;

6.Choque elétrico;

•de 1 a 4 anos de idade:

1.Afogamento;

2.Atropelamento;

3.Sufocação;

4.Passageiro de veículo;

5.Queda;

6.Queimadura com fogo;

Hospitalizações

•até 1 ano de idade

1.Queda;

2.Queimadura com líquidos quentes e outras fontes de calor;

3.Choque elétrico;

4.Atropelamento;

5.Envenenamento, medicamento, pesticida e outros;

6.Queimaduras com fogo;

•de 1 a 4 anos de idade

1.Queda

2.Queimaduras com líquidos quentes e outras fontes de calor

3.Choque elétrico

4.Atropelamento

5.Envenenamento, medicamento, pesticida e outros

6.Queimaduras com fogo.

Uma educação orquestrada dificulta o surgimento dos eventos acima citados, enquanto o crescimento silvestre favorece.

Crianças na primeira infância necessitam e dependem de cuidados de adultos que as amem, provejam, protejam, alimentem, eduquem, banhem, acariciem, abracem, conversem e brinquem com elas e velem seus sonos, pois elas são incapazes de cuidarem de si mesmas. Todas estas ações estão presentes na educação orquestrada.

São várias as condições para que as crianças sejam soltas à própria sorte num crescimento silvestre. Elas terão menos condições de serem felizes e de atraírem sucessos. Quando os pais deixam de atender às necessidades dos filhos estão sendo negligentes e quando agridem, abandonam, ficam indiferentes às suas carências, estão provocando mal tratos.

O indesejável crescimento silvestre é provocado por várias condições facilmente detectáveis pelos resultados – acidentes e mortes - apresentados acima. Basta em cada item imaginar as situações que provocaram tais eventos. Onde estava o adulto cuidador em cada item citado?

Existem características comuns aos pais que provocam o crescimento silvestre dos seus filhos: são ausentes, egoístas, destemperados emocionais, usuários de bebidas e/ou drogas, negligentes, irresponsáveis, hedonistas, desregrados, contraventores, personalidades psicopáticas, doentes psiquiátricos, neuróticos graves, sérios distúrbios comportamentais etc. Raramente estas características aparecem como sintomas únicos, mas sim com algumas simultaneidades entre elas.

Içami Tiba

Içami Tiba é psiquiatra e educador. Escreveu "Família de Alta Performance", "Quem Ama, Educa!" e mais 26 livros.

Site: http://www.tiba.com.br/
Fonte: http://educacao.uol.com.br/colunas/icami_tiba/2010/04/27/educacao-orquestrada-e-crescimento-silvestre.jhtm

sábado, 17 de abril de 2010

Alfabetização Financeira - Jornal Valor Econômico







Imagem: Dreamsimage


Mesada e finanças da família são as duas noções básicas
Jacilio Saraiva, para o Valor, de São Paulo

16/04/2010

Como criar filhos mais conscientes em relação ao dinheiro? A administração de uma mesada pode ajudar as crianças a cuidarem melhor das finanças no futuro? Quatro especialistas em educação financeira garantem que a mesada é uma iniciativa positiva, mas deve ser pontual e apresentada aos filhos a partir dos cinco anos de idade. Para manter o equilíbrio monetário no ambiente doméstico, os pais também devem evitar dívidas, planejar investimentos em poupança e previdência privada, além de manter conversas frequentes com os filhos sobre a real condição financeira da família. "É necessário quebrar o tabu de que não se conversa com criança sobre dinheiro", afirma a educadora financeira Silvia Alambert.

Para a especialista, a hora certa para falar de finanças com as crianças é quando elas começam a pedir "coisas". "A partir dos cinco anos, a criança vai ter uma percepção inicial sobre o dinheiro e já consegue realizar escolhas", diz. "Estará mais aberta a receber informações que poderão ser valiosas para o resto da vida."

Sílvia, que é diretora do The Money Camp Brasil, um programa de educação financeira que treinou mais de 2 mil jovens e crianças nos últimos quatros anos, acredita que o pagamento de mesada para os filhos é importante - mas a decisão depende de cada família.

"É uma ação positiva desde que os pais consigam transmitir conceitos de educação financeira e orientem as crianças sobre o uso do dinheiro", afirma. "A mesada permite que as crianças tenham contato com valores e sintam-se confortáveis com o seu manuseio, pois, ao crescerem, terão de lidar com esse assunto todos os dias."

De acordo com Sílvia, a mesada pode ser dada a partir dos cinco anos, com valores pequenos que aumentam à medida que a criança cresce. "Dessa forma, ela se sentirá responsável pelas próprias economias", diz. "A quantia não pode ser muito baixa a ponto de excluir a criança do seu grupo social, nem tão alta que o jovem não consiga realizar um esforço de planejamento para garantir objetivos maiores."

O importante, segundo ela, é que a oferta "caiba dentro do bolso da família" e passe a ser tratada como um acordo entre pais e filhos, com um dia marcado para o recebimento. "Caso contrário, se os pais quebrarem o trato, as crianças poderão entender as pessoas e o dinheiro como não confiáveis." (...)

Silvia diz que para criar filhos mais econômicos, deve-se mostrar a verdade sobre a condição financeira da família, conversar sobre como uma escolha poderá se refletir no futuro de todos e ainda apresentar a "logística" do dinheiro dentro de casa. Ela lembra que não é preciso que os pais digam quanto ganham, mas é importante não criar cenários falsos em relação à situação econômica familiar.

"Há pais que fazem contorcionismos para esconder momentos de dificuldade econômica ou, pior, só abrem o jogo quando a situação está à beira do precipício". Quando isso acontece, os filhos sentem-se enganados por terem sido excluídos de uma situação doméstica. "É necessário conversar sobre dinheiro. Os jovens têm uma percepção muito maior sobre o assunto do que os pais imaginam."

Além da mesada, os especialistas garantem que há outras formas de iniciar as crianças no caminho da educação financeira. "O uso dos cofrinhos para moedas também ajuda a criança a economizar", diz Domingos. "Os filhos precisam entender que, com o dinheiro guardado, poderão atingir objetivos da mesma forma que os adultos poupam para realizar seus planos."

Para o consultor de investimentos Márcio Nobre, os pais devem compartilhar com os filhos o orçamento da casa. "Esse assunto pode ser discutido e, se possível, até com a ajuda de uma planilha que mostre os gastos de energia, água e telefone", diz. "A economia é incentivada e deve ser explicado que, se as despesas continuarem altas, a mesada pode não ser mensal."

Os chefes da família precisam se organizar para pavimentar o futuro do casal e dos filhos. "O casal deve poupar parte dos ganhos para garantir despesas com estudos e com a aposentadoria". É recomendável, segundo ele, contribuir mensalmente com um plano de previdência privada, além de reservar uma economia para investir em renda fixa e variável - se o orçamento permitir. "Se não está sobrando nada para poupar, deve-se rever o orçamento doméstico para que sobre alguma coisa."

Para Nobre, entre as causas mais comuns de endividamento das famílias estão o hábito de não poupar e o incentivo desenfreado ao consumo. "Com a facilidade de crédito, o ato de gastar sem necessidade, apenas por causa de uma promoção ou pela facilidade de pagar em suaves prestações, leva ao acúmulo de contas", diz.

Quando a dívida for feita, é preciso eliminar primeiro as contas que cobram as taxas de juros maiores. Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a dívida mais comum é o cartão de crédito, com 72,5% do total das obrigações, seguido de carnês (27,4%) e financiamento de veículos (12,5%). "Por conta dos juros, as dívidas de cheque especial e de cartão de crédito devem ser evitadas a todo custo", diz Luiz Simões, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

Planos para reduzir gastos caseiros

Na casa da empresária Simone Freire, conversas sobre o uso consciente do dinheiro estão na pauta do dia desde que o filho mais novo tinha cinco anos. "O lema aqui é não ser perdulário, evitar a compra de roupas de marca e avaliar a necessidade de adquirir qualquer supérfluo", diz Simone, casada e mãe de Eduardo, 21 anos; Giovana, 15 e Giulia, nove anos. A estratégia tem dado certo. Giovana acaba de voltar de uma viagem "econômica" aos Estados Unidos e Eduardo vai trocar o seu primeiro carro somente com as economias que conseguiu acumular. Além de conversas frequentes, a educação financeira da família é estimulada por uma planilha de entradas e despesas.

Segundo Simone, os filhos só conseguiram receber mesada por iniciativa da avó, a partir de 2009. Ganham de R$ 50 a R$ 150 por mês, cada um. Para ajudá-los na administração do dinheiro, montou uma planilha com as entradas e gastos mensais. "Apesar de terem mais liberdade para usar o dinheiro que recebem, não podem comprar tudo o que veem pela frente."

O filho mais velho Eduardo, estagiário em um banco há dois anos, conseguiu economizar e pagou a metade do valor do primeiro carro com o próprio dinheiro. Agora, se prepara para comprar um modelo mais novo - e vai arcar sozinho com a troca.

Segundo a psicóloga Márcia Dolores Rezende, educar financeiramente as crianças é um convite para os pais reverem crenças em relação ao dinheiro e à forma de utilizar o recurso. "Pais saudáveis financeiramente também formarão filhos saudáveis", diz. "Ao mesmo tempo, pais com postura perdulária ou de comportamento mesquinho terão grandes chances de desenvolver nos filhos crenças limitantes em relação ao dinheiro e ainda comprometerem a educação financeira da família."

Simone e o marido, que trabalha na área de seguros, finalizam a construção de uma nova casa para a família. "Discutimos com as crianças desde o preço do papel de parede que vamos usar nos quartos até o modelo dos televisores", lembra. No início do ano, a filha do meio, Giovana, preferiu uma viagem de 14 dias à Disney a uma festa de 15 anos. Levou US$ 2 mil e conseguiu comprar presentes.

Para o educador financeiro Reinaldo Domingos, o controle das finanças pode ser feito com uma reunião familiar mensal ou bimestral. "É um bom começo para que as crianças saibam que o dinheiro é um objeto de troca e que as despesas de uma casa sejam conhecidas por todos", avalia. "Quando os filhos entram nesse processo desde cedo são capazes de fazer uso consciente do dinheiro e entendem que gastar mais poderá eliminar benefícios como um presente ou uma viagem de férias."

Segundo a educadora Sílvia Alambert, uma boa alternativa para controlar os gastos caseiros é fazer um plano de economia e gastos. "Com esse hábito, fica mais fácil visualizar onde está o excedente que não permite uma vida financeira tranquila e enxergar o ralo por onde o dinheiro está escoando."

Para o consultor financeiro Márcio Nobre, fazer uma força- tarefa com toda a família para economizar em gastos essenciais como luz, água e telefone também pode ajudar a manter o orçamento doméstico nos trilhos. "A educação financeira deveria ser uma matéria básica do ensino fundamental nas escolas." (J.S.)