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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O seu pé de meia é mágico ou é furado?

Capa do livro O Pé de Meia Mágico, do autor Álvaro Modernell

"Um pouco de conhecimento que age vale infinitamente mais do que conhecimento que é ocioso." ~ Khalil Gibran


Já se pagou primeiro este mês? 

Pagar-se primeiro significa separar uma quantia de dinheiro para fazer o famoso "pé de meia" ANTES de sair pagando os outros e não depois de pagar os outros, porque "depois" talvez não sobre para fazer o seu pé de meia.

"Mas se eu me pagar primeiro vou deixar de pagar alguma conta!!"

Então, é hora de começar a fazer uma planilha para visualizar os seus gastos e ver se é possível gerar alguma economia entre as coisas que você está gastando.

Lembre-se: se é seu desejo, futuramente, trabalhar apenas porque quer e não mais porque precisa e quer continuar vivendo no estilo de vida que você escolher viver, vai precisar dar uma força a você mesmo a partir de agora.

Para começar a transmitir bons hábitos financeiros às suas crianças, indicamos o livro de autoria de Alvaro Modernell, " O Pé de Meia Mágico".


Ao seu sucesso financeiro.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Somos um dos povos menos endividados do mundo?


Imagem: dreamstime

Nos últimos dias, temos visto alguns políticos e técnicos ligados ao governo dizerem, com um certo orgulho, que somos um dos povos menos endividados do mundo e, por conta disso, teríamos uma “folga” para aumentar o endividamento, o que ajudaria a dar ainda mais fôlego para o nosso consumo que já anda bastante aquecido.

Mas será que isso é verdade? Somos mesmo um povo pouco endividado? Sim, quem disse que nosso endividamento é baixo não falou nenhuma mentira. Mas é importante termos em mente que isso não é decorrência de nossa educação financeira nem de nossa destreza em administrar nossas próprias finanças. O baixo endividamento (relativo) do brasileiro é muito mais uma decorrência de um mercado de crédito pouco desenvolvido (convém lembrar que, até poucos anos, não era tão comum comprarmos todo tipo de bem usando financiamento) e da nossa taxa de juros, que é uma das mais altas do mundo.

Vendo os índices de endividamento isoladamente, sobram poucas dúvidas que estamos longe dos primeiros colocados nesse ranking, mas isso absolutamente não significa que estamos em vantagem. Aliás, muito pelo contrário... A comparação dos níveis de endividamento de um brasileiro com um americano ou europeu pode nos dar resultados inconclusivos se não levarmos em conta outros fatores, como a taxa de juros.

Apenas para termos um exemplo, a nossa taxa de juros básica (a SELIC) é, no atual momento, mais de quarenta vezes maior que a taxa básica americana, e mais de dez vezes a taxa da zona do Euro. Essa desproporção se observa também (ainda que em menor nível) nas taxas ao consumidor. Podemos ver alguns exemplos a seguir:

- Juros de cartão de crédito: Nos EUA, as taxas de juros do crédito rotativo do cartão de crédito estão em níveis historicamente altos, por volta de 14% ao ano. Já aqui no Brasil, segundo a ANEFAC (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), em agosto de 2010, a taxa média do crédito rotativo nos cartões de crédito brasileiros era de 238,30% ao ano. Nossa taxa é aproximadamente dezessete vezes superior à taxa americana;

- Juros do cheque especial: Vamos ver agora como vão nossos amigos europeus... Na Inglaterra, a taxa de juros para uso do limite de conta especial (overdraft) está por volta de 16%. Aqui no Brasil, ainda segundo a ANEFAC, nossa taxa média em agosto foi de 136,85% ao ano, mas não é difícil encontrar bancos cobrando mais de 200% ao ano;

- Financiamento de veículos: Nos EUA, um carro novo, financiado em 36 meses, paga em torno de 6% ao ano de juros (o que daria em torno de 0,49% ao mês). Aqui no Brasil um carro financiado pelo mesmo período paga entre 1,5% a 2,0% ao mês.

O que podemos concluir é que, para o brasileiro, ocorre uma espécie de “alavancagem ao contrário”. Se os americanos, por exemplo, pegarem emprestado um valor “X”, eles poderão ter problemas com os juros. Mas se nós brasileiros resolvermos tomar o mesmo “X” que os americanos, seremos esfolados vivos! É aquela velha lógica do “se eles pegam um resfriado, nós morremos de pneumonia”, pois o efeito do endividamento de mesmo valor é muito diferente no brasileiro e em um cidadão de uma economia desenvolvida.

Vendo por esse lado, é questionável se existe mesmo esse tal “espaço” para o endividamento extra. O endividamento das famílias no Brasil pode ser baixo (como de fato é), mas sendo o Brasil um dos países com juros mais altos do mundo, não poderia ser diferente. Se o endividamento do brasileiro subir mais, ele ainda será baixo pelos padrões internacionais, mas as pessoas terão que “vender a própria alma” para dar cabo dos juros. Mais do que nunca as famílias brasileiras devem se preocupar em tomar decisões financeiras sensatas e em manter as contas equilibradas.

André Massaro
Especialista em finanças pessoais
Consultor financeiro da The Money Camp Brasil
Autor do livro MoneyFit (Matrix Editora)
http://www.moneyfit.com.br/



segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Aprender sobre finanças é divertido.

Imagem: Divulgação IG

Nathália Ilovatte, iG São Paulo
29/08 - 14:24hs


Adolescentes aprendem sobre finanças pessoais em gincanas no Money Camp
Você planeja seus gastos? Usa sua grana racionalmente? Se acha as questões chatas, saiba que tem jovens se divertindo com elas
                                                                           Enquanto o time laranja corria para levar água até os potes no canto da quadra com a ajuda de um balde furado, o time azul gritava para incentivar seu integrante que levava uma bolinha de isopor em uma colher segurada com à boca até os recipientes próximos à rede de vôlei. O time que terminasse primeiro tinha que correr para trocar de lugar com a equipe verde, que passava bolas de borracha coloridas que só podiam ser conduzidas com o pescoço, passando de pessoa para pessoa, até chegar ao prato que está no fim da fila.
Parecia gincana da aula de educação física, mas era o workshop de educação financeira que os alunos do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Campos Salles, de São Paulo, tiveram na última semana. A princípio, eles voltaram para a escola no período da tarde porque foram “subornados” pela coordenação com alguns pontinhos que podem ajudar na média de matérias mais capciosas da grade curricular. Mas, quando chegaram à aula de finanças pessoais e Silvia deu início a uma brincadeira de pega-pega em que a pegadora tem de pular com os pés amarrados, a preguiça sumiu, dando lugar a um aprendizado cheio de brincadeiras e descontração. “Estranhei quando falaram pra vir com roupas que não atrapalham os movimentos, porque imaginei que seria uma palestra, uma coisa chata... Mas me surpreendi bastante e achei a aula muito legal”, disse o aluno Henrique Silva Pedroso, de 17 anos.

O workshop foi ministrado pela equipe do The Money Camp, uma ideia que nasceu há 10 anos nos Estados Unidos. Lá, o The Money Camp é um acampamento cujas atividades são voltadas para a educação financeira. Quando foi trazido para o Brasil, em 2006, passou por algumas adaptações. Aqui, não há um acampamento, a equipe vai a colégios e empresas para workshops ou para o curso continuado, que começa no Ensino Fundamental e acompanha o desenvolvimento do aluno. Mas, assim como no acampamento, tudo é ensinado de maneira divertida e com brincadeiras. “A educação financeira é feita de forma lúdica, com atividades vivenciais que possibilitam a troca de experiências. O método é próximo do construtivismo, pois o professor atua como um facilitador do tema”, explica Silvia Alambert, empresária que trouxe o The Money Camp para o Brasil.

Nas aulas, Silvia ensina às crianças e jovens que uma parcela de todo dinheiro recebido, como salário ou como mesada, por menor que seja, deve ser investida. E em alguns anos, é esse dinheiro investido que vai trabalhar para o seu investidor, que poderá passar longas férias em Acapulco, se dedicar à filantropia e curtir a vida da maneira que desejar. “É muito importante que vocês comecem a pensar na educação financeira de vocês anteontem. Na verdade, vocês já estão atrasados, porque tem uma galera começando aos seis anos e já investindo em ações”, disse Silvia aos alunos, no começo do workshop. “Acho que eles vão se aposentar e curtir a vida adoidado antes de vocês!”.



As noções de por que e como investir não são passadas aos alunos somente de maneira teórica. Foi o pega-pega do começo do workshop que mostrou isso aos jovens. Na brincadeira, uma das alunas, Bruna Lugli Rocha, de 16 anos, tinha que correr atrás de dez amigos para pegá-los, só que com os pés amarrados. Bruna representava o trabalhador, e os pés amarrados significavam a falta de liberdade para trabalhar só quando quiser e tirar umas folguinhas durante a semana para assistir a Sessão da Tarde. Já os meninos correndo livres pela sala eram o dinheiro que Bruna passava a vida correndo atrás. Quando finalmente conseguiu pegar um dinheirinho, ela investiu e, depois de algum tempo, pôde descansar enquanto o dinheiro corria atrás de mais dinheiro pelo auditório do colégio.



Depois de muitas risadas e um tombo de um dos ligeiros dinheirinhos de Bruna, Silvia explicou a brincadeira. “Quando Bruna ralava pra caramba, e trabalhava todos os dias, ela tinha renda adquirida”, ensinou. “Mas quando o dinheiro passou a trabalhar pelo trabalhador e fazer mais dinheiro, e a Bruna ficou só curtindo, porque se planejou para viver assim, ela começou a ter renda passiva”.



No workshop e no curso continuado, os alunos aprendem não só a importância de investir, mas também a fazer um planejamento, gastar com sabedoria, conquistar independência financeira e ser solidário. E para quem quiser começar a botar ordem nas finanças, a empresária e educadora financeira dá algumas sugestões:

- Pague-se primeiro. Antes de gastar qualquer dinheiro com contas e outras despesas, reserve 10% do que você recebeu para fazer algum investimento. “Você é quem mais merece ser pago”, diz;

- Administre sempre seu dinheiro com razão, não com emoção. “É quando agimos emocionalmente que cometemos os maiores erros”, explica. Por isso, nada de comprar por impulso! Ok, só um pouquinho...

- Seja disciplinado e crie bons hábitos com o seu dinheiro. “As pessoas pagam as contas e aí é que veem quanto sobrou. Então, acham que essa quantia representa uma merreca que não é digna de trabalhar por elas”, critica;

- Mesmo que seja tentador pedir o cartão de crédito do pai para parcelar aquele computador novo, pense que quem tem dinheiro, tem poder de barganha, e quem financia dá dinheiro para os outros por causa dos juros. Então, o melhor é economizar até ter dinheiro para pagar a vista, em vez de comprar a prazo;



- Se você não ganha mesada, peça aos seus pais que pensem sobre isso. “Quando os adolescentes percebem que é difícil esperar para receber dinheiro, valorizam mais o dos pais e gastam menos com supérfluos”, afirma Silvia;



- Empréstimos só são bons se servirem para trazer mais dinheiro para a sua vida;

- Faça sempre uma planilha de gastos;

- Na hora de comprar, pesquise preços e pense se aquele produto é realmente uma necessidade nesse momento da sua vida. Se ele for causar um baque na sua vida financeira, melhor comprá-lo depois, quando já tiver juntado mais dinheiro;

- Pense sobre o valor das coisas que você compra. Alguns tênis, por exemplo, têm um custo de produção de 55 dólares e são vendidos no Brasil por mais de 300 reais. Vale a pena pagar tanto por uma marca?

Fonte: http://jovem.ig.com.br/oscuecas/noticia/2010/08/29/adolescentes+aprendem+sobre+financas+pessoais+em+gincanas+no+money+camp+9575727.html