sexta-feira, 28 de maio de 2010

Você é um pessoa à frente de seu tempo?

Eu costumo dizer que parece que nós não nos damos conta de quão rápido o tempo passa e o quanto não nos "preparamos" para encarar o tempo que voa à nossa frente.

Não entendemos direito o que significa " estar à frente" do tempo, de olhar para o futuro no presente e nos imaginarmos lá.

Não temos muita preocupação em pensar no futuro e não conseguimos observar como tudo à nossa volta muda rapidamente: a tecnologia, a ciência, os desenhos, os filmes, as cidades, o comportamento das pessoas, as crianças (!!!)..tudo, absolutamente, tudo muda com o tempo e é incrível como não percebemos e, na maioria das vezes, nem sabemos lidar com tantas mudanças.

Outro dia, uma jovem de 26 anos que passou por um de nossos cursos declarou que iniciou um investimento em Previdência para garantir sua aposentadoria. Incentivando seu irmão mais jovem, já em vida produtiva, a realizar o mesmo, expondo os benefícios de iniciar cedo, ouviu-o dizer que isso era coisa de gente com mais idade (infelizmente, ele não recebeu o mesmo conhecimento financeiro). Por que? Porque deve acreditar que esse tipo de coisa é preocupação de gente " mais velha".

Realmente, as pessoas tem pouca percepção com relação ao tempo.

Luiza Brunet, em entrevista ao jornal " Extra", confirma esta teoria quando assume que não se vê como uma senhora de 48 anos: "Outro dia vi uma entrevista minha no Youtube para a Hebe Camargo. Eu tinha uns 20 e poucos anos e ela me perguntou o que eu achava que estaria fazendo quando tivesse uns 40. Eu respondi que estaria em casa, seria uma senhora, com meus netos. A minha projeção ultrapassou todos os limites e me deu a possibilidade de estar muito bem hoje em dia. Ainda não sou uma senhora cuidando dos netos. E eu não me vejo com esta idade toda".

Realmente, hoje com 48 anos uma mulher ainda não é considerada uma senhora, mas uma "jovem senhora". Talvez fosse na época de nossas avós ou bisavós.

Tudo muda tão rápido, que o que era considerado "balzaquiano" ontem, hoje é " jovem".

Não há problema algum com relação às mudanças, elas acontecem naturalmente conforme o homem evolui, mas o que realmente é intrigante é a forma como as pessoas deixam de projetar sua vida, inclusive, como Luíza Brunet mesma coloca, a de ver além da visão modelada que estamos acostumados a ver : " A minha projeção ultrapassou todos os limites e me deu a possibilidade de estar muito bem hoje em dia."
É provável que a colocação de se ver como uma senhora aos 40 anos tenha vindo dos modelos daquela época em que mulheres de 40 anos eram avós - já que nossas mães se casavam mais cedo - e cuidavam da casa, dos netos, em fim.

Novamente, levo ao questionamento sobre tudo que fazemos em nossa vida com base em modelos educacionais ultrapassados e que já não servem mais, já que os tempos são outros, as pessoas mudaram, os comportamentos mudaram, ( até a economia mudou) mas e a nossa cabeça se preparou para acompanhar tais mudanças ou ainda nos assustamos ao nos depararmos com tantas coisas e informações que mudam o tempo todo, mas que continuamos fazendo do mesmo jeito?

Muitos dizem que sou muito idealista com relação às mudanças que desejo ver na educação financeira do país, mas eu vejo o desejo das pessoas em quererem conhecer mais a si próprias e se darem uma oportunidade de mudança na condição em que se encontram atualmente com relação às suas próprias finanças e a  qualidade de vida ( e olha que eu tenho conhecido pontos diferentes do país e classes sociais extremas) e isto me encoraja a ir em frente e ir além, simplesmente porque as pessoas querem enxergar o seu próprio futuro e o meu desejo é poder ajudá-las a ultrapassar todos os limites além daquilo que elas enxergam.

Eu o convido hoje a olhar o seu futuro e suas perspectivas, mas peço que enxergue com seus olhos do futuro, não com os que você enxerga no presente.

Vamos começar a celebrar o nosso futuro HOJE.

FELIZ 2020 para você.


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Ajuste primeiro a SUA máscara de oxigênio

 







Imagem: iStockphoto.com


Escrito por Darren Hardy, em 06/04/2010 para http://blog.success.com/success/
Tradução livre: Silvia Alambert

Recentemente eu estava viajando de avião com minha filha de 6 anos. Para dar um bom exemplo, pedi a ela que escutasse as instruções de segurança da comissária de bordo. Enquanto falava sobre mascaras de oxigênio, uma das atendentes venho em minha direção para reforçar a orientação: “Assegure-se de colocar sua máscara primeiro antes de ajudá-la com a dela.”
Sorri educadamente, mas por dentro eu zombava, “Ah, tá. Pensar em mim primeiro antes de ajudá-la? De jeito nenhum..”

Vi, então, um casal com mais idade do outro lado do corredor e uma criança viajando sozinha na fileira à minha frente. Eu me vi tendo que ajudar a todas aquelas pessoas na ocorrência de alguma emergência (é impressionante como a mente dramatiza um cenário). Imaginei que, se eu não conseguisse respirar, eu não seria capaz de ajudar ninguém. Eu, então, entendi que realmente o mais seguro seria que eu estivesse primeiramente com minha máscara para que pudesse poder ajudar a todos.
Mas esta também não é a forma freqüente com que as pessoas vivem suas vidas. Ao contrário, elas saem ajudando todo mundo com suas máscaras de oxigênio (recados, pedidos, obrigações, etc.) e, de vez em quando, utilizam a máscara de oxigênio para si próprias e se tornam estressadas, cansadas, fora de forma e sem saúde.

Quando peço às pessoas para fazerem uma lista de suas prioridades de vida e darem uma nota para o grau de importância que aquilo tem para elas, com freqüência escuto coisas do tipo:

1. Deus

2. Famílias e amigos

3. Negócios, clientes e funcionários

4. Bem estar, interesses pessoais, etc

Esta lista provavelmente o asfixiará.

Você não conseguirá servir a Deus, a sua família , a sua empresa ou a qualquer outra coisa ou pessoa se você enfraquecer ou cair doente ou morto de ataque cardíaco.

Você não conseguirá dar aquilo que você não tem.

Se você quiser se doar mais, servir mais, contribuir mais, construir mais, criar mais, você terá que ser mais forte e mais vital, terá que ter mais força e vigor. Você precisará fazer de VOCÊ sua primeira prioridade para que você possa se doar mais, ser mais e fazer mais pelos outros. Jim Rohn faz uma colocação assim: “Você se cuida por mim, e eu me cuido por você” Minha sugestão é que você pegue sua agenda e marque um encontro com VOCÊ primeiro: agende sua ginástica, refeições balanceadas e nutritivas, dormir o suficiente, relaxamento mental e diversão para se restabelecer. Daí então, siga com o restante da sua lista de prioridades e adicione família, negócios e obrigações sociais.

Um brinde…a você e a sua boa saúde!



quarta-feira, 19 de maio de 2010

"Se você não sabe para onde está indo, qualquer estrada o levará até lá."

O consumidor e a nota que ele merece

André Maia Gomes Lages

Economista e professor da graduação e mestrado em Economia da Feac/Ufal.
andré_lages@msn.com


O Brasil é certamente um país que, apesar de seus problemas, concorre para possibilidade de as pessoas terem alguma mobilidade social. Por outro lado, a modernização do nosso sistema econômico mudou o padrão de gastos das famílias e delegou às pessoas mais responsabilidades e cuidados nas suas decisões de natureza econômica.

Infelizmente, boa maioria dos consumidores ainda tomam decisões erradas. Avise-se antecipadamente que os autores dessas linhas não se sentem exemplo de nada, mas acreditam perceber equívocos em tantas famílias em suas menores decisões econômicas.

Parece prevalecer aquela filosofia do Zeca Pagodinho: "Deixa a vida me levar". E a vida vai levando mesmo, da forma mais desmantelada possível, em muitos casos.

Como um bom curioso, faça o teste e insista em perguntar aos pais de família que seguem aquela filosofia: por que não a decisão na forma de pagamento A ao invés da B, por determinado produto, quando a primeira é nitidamente bem mais racional?

Recebe-se dos amigos despreocupados as desculpas mais absurdas que você, prezado leitor, já está acostumado a ouvir, de pessoas apertadas em meio a tantos problemas. "Não sei se vou estar vivo amanhã" ou "Quando eu morrer, não vou levar dinheiro comigo".

E as décadas passando, de uma morte que não vem, mas as cervejinhas e os gastos mais que supérfluos estão sempre em pauta, mesmo com o cartão de crédito estourado ou no limite. Além disso, a opção poupança (ou outras formas de aplicação financeira ainda mais convidativas) está naturalmente sempre zerada ou bem negativa.

Se houvesse mais racionalidade nas decisões, seria permitido àquele pai garantir um sustento mais razoável da família ou até algum progresso na vida, nos anos que virão. Por sinal, antes de continuar, deve ser lembrado que novas mudanças de hábitos de consumo irão acontecer por conta, inclusive, das pressões do homem ao meio ambiente, e os problemas ecológicos pertinentes.

Existem, contudo, dificuldades de se adaptar às mudanças, e educação financeira primária, de saber gastar, saber aplicar. É preciso saber viver, já dizia a música cantada por Roberto Carlos. O que adianta ter inúmeras compras que cobram juros pesados sabidamente aliviados em várias prestações?

São tantas as situações diferentes. Existe também aquela loja que embute um componente de juro real altíssimo nas prestações e oferece o mesmo preço a vista. O consumidor não pode se comportar indiferente a tudo isso. É o que costuma acontecer, porém.

Não fazer uma reflexão sobre esse tipo de comportamento implica a repetição de erros e sofrimentos familiares desnecessários. A parte mais frágil das pessoas está no bolso, no sentido de que são as dificuldades de sustento que geram boa parte de conflitos entre membros de uma mesma família. Em muitos casos, o convívio é uma perfeição, mas quando se fala em herança, por exemplo; é um Deus nos acuda.

Uma outra situação não menos relevante é o exercício de pedir um simples cupom fiscal. Muitos consumidores entendem que pedir a nota não faz parte da sua vida como cidadão, ou se envergonham em fazer isso.

Se querem, entretanto, que o sistema econômico em que vivem funcione melhor do ponto de vista econômico e social, então pedir a nota faz parte dessa possibilidade, particularmente, quando se tem a consciência de que a sonegação fiscal é uma realidade.

Isso acontece por conta desse comportamento do consumidor de deixar a vida o levar, simplesmente. Dessa forma, não poderá obter os benefícios que são claros com apenas o exercício do seu direito de pedir um cupom fiscal.

Não se pode reclamar da sorte, quando não se faz o mínimo esforço para ser presenteado pelo destino, sempre culpado, em última instância, pelos nossos erros. É tempo de se mudar de atitude. Entre Zeca Pagodinho e Roberto Carlos, parece mais sóbrio seguir o conselho do Rei.


domingo, 9 de maio de 2010

Permita o crescimento de seu filho.

Julho está chegando...de novo.
É inacreditável como o tempo passa tão rápido.
Com as férias chegando, começamos novamente a ter a preocupação sobre o que fazer com os nossos jovens para que não passem as férias grudados no computador ou deitados assistindo televisão o dia inteiro ou que não fiquem pedindo dinheiro o tempo inteiro para "sassaricar" pra lá e pra cá o dia inteiro.
É natural, são jovens e sem ter o que fazer, ficam muuuiiiito entediados.

Nestes anos trabalhando com crianças e jovens (mas principalmente, sendo mãe) sei  quanta energia esta garotada dispõe em todos os sentidos: para brincar, para consumir, para ficar acordado, para ficar jogando PS´s, DS´s e outras tecnologias disponíveis.

Há 4 anos venho promovendo o acampamento de educação financeira entre crianças e jovens e percebo o quanto de energia e conhecimento eles possuem e como é inacreditável que durante o período em que ficam conosco, eles nem se lembram da existência dessas outras atividades, já que experimentam uma oportunidade super nova na vida deles: o contato intenso com a natureza, as dinâmicas, as baladas temáticas diárias, as atividades radicais e todos os ensinamentos que são recebidos e compartilhados naturalmente entre todos  e atrelados a toda essa diversão.

Também pudera: é adrenalina o dia inteiro, se divertem intensamente das 7hs da manhã até às 0hs, tem a oportunidade de conhecer pessoas novas e, assim, criam novas redes sociais, ampliam o conhecimento sobre assuntos e temas diversos, deixam a zona de conforto do lar e "caem" na vida, tendo que ter a responsabilidade de cuidar de suas próprias coisas, cuidar do meio ambiente, do próximo, conviver com as diferenças, liderar grupos, desafiar o que julgam impossível e passam pela experiência mais maravilhosa da vida: viver e ser grato por todas as oportunidades que a vida oferece (mesmo que pareça difícil, às vezes).

Independentemente de nosso acampamento de férias, sou adepta que os jovens passem pela vivência de um acampamento, intercâmbio ou alguma forma que os permita entender a realidade da vida por eles mesmos, antes de atingirem a idade adulta.

Esta experiência possibilita um encontro isolado, mas ao mesmo tempo, compartilhado e orientado, consigo mesmo e é impagável o ganho que eles demonstram: o aumento da confiança em si próprios, a melhora da auto estima, a força interior, a idealização de onde pretendem chegar...são inúmeros os fatores benéficos oriundos desta experiência de vida.

Perguntas como " quem sou", "onde estou" ou " para onde vou" parecem ficar mais claras para jovens que vivem esta oportunidade, pois passam a entender que a direção de suas vidas só dependerá das escolhas deles, por mais que nós pais os orientemos com relação ao seu futuro.

Minha filha mesma, participa de acampamentos de férias no inverno e no verão desde os 7 anos de idade (e, não, ela não vai só ao acampamento da Money Camp, embora, por ela, queira estar em todos).
É óbvio que me certifico de todos os detalhes sobre o local onde ela estará indo (na primeira vez, ela viajou com a prima da mesma idade para se sentir mais segura).

Haverá um tempo em que eles crescem e querem ( e tem que) viver a vida deles.
Para nós pais, a desculpa de dizer que ainda está muito cedo para experimentarem a vida longe de nós é sempre mais confortável, assim os temos sempre sob nossa asa, mas e quanto a eles?

É melhor que sejam preparados para este encontro com a vida real desde cedo, para que não se vejam à deriva ou perdidos ou, ainda, muito dependentes de nós pais, que, infelizmente, não somos eternos.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Macaco vê, macaco faz.

T. Harv Eker em seu livro “ Os Segredos de Uma Mente Milionária” comenta uma passagem que é muito interessante para salientarmos como somos “ macaco vê, macaco faz”

Ele conta a estória da esposa que estava preparando o pernil para o jantar quando o marido chega a casa. Ele pergunta: “ Por que você corta as extremidades do pernil antes de assar?”, ao que a esposa responde: “ Minha mãe fazia assim.”. Naquela noite a sogra vem para o jantar e os dois resolvem perguntar a ela porque ela cortava as extremidades do pernil para assar, ao que ela responde: “ A minha mãe fazia assim.”. Então resolvem telefonar para a avó da esposa e perguntar, ao que a avó responde: “ A minha panela era muito pequena!”.

Quer dizer....estamos vivendo coisas que não nos pertencem mais, porque nossas panelas são maiores do que as das nossas avós. Isto não é mais a nossa realidade e, portanto, não nos servem mais.

Somos seres de hábitos e modelos.

Portanto, MUDE CONSCIENTEMENTE suas crenças sobre o que você aprendeu sobre dinheiro, DISSOCIE o que você foi ensinado para o que você quer para você HOJE e no FUTURO.

USE SUA CONSCIÊNCIA FINANCEIRA A SEU FAVOR.

Quer um exemplo bem banal de como você consegue o que quer quando você realmente deseja: você quer muito comprar um determinado supérfluo (porque você sabe que é supérfluo. Se quiser chame de capricho), mas você não tem o dinheiro naquele momento, o cartão está próximo do vencimento, o cheque especial está estourado, enfim. Você não pára de pensar como vai conseguir comprar, mas faz que faz e faz que vai lá e compra. Nem que isso signifique o esforço do seu próximo salário.

Isto se chama CONSCIÊNCIA FINANCEIRA.

Se você tem consciência para conseguir gastar, você tem consciência para conseguir poupar e, melhor, investir uma parte para conseguir ter a sua liberdade financeira.

Consciência Financeira Positiva: não a utilize com moderação.

Bem, é muita informação para você?


Então, comece pelo seguinte: questione-se o que você tem HOJE? Pergunte-se que tipo de vida quer levar daqui a 10 anos? E daqui a 15? E daqui a 20? Coloque seu objetivo no papel.

Veja, então, quais os motivos que poderiam fazer com que você não alcançasse seus objetivos neste prazo de tempo.

Você já começou a fazer seu planejamento ou vai continuar no modelo " compro primeiro e pago depois", ficando quase louco com as prestações mensais ?

Você julga ser um tempo muito longo para montar uma estratégia?

Hello-o. Quantos anos já se passaram desde os seus 18 anos?
Se for isso, é melhor rever sua consciência financeira ou vai continuar na mesmice do " macaco vê, macaco faz" e, pior, ensinar isso aos seus filhos?





Educando com Maestria

Imagem: meusrecados.com

Educação Orquestrada e Crescimento Silvestre

Por Içami Tiba

Nossos filhos carregam os nossos sonhos. Todos os cuidados com eles devem ser orquestrados para que no futuro sejam felizes e tenham sucesso. A esses cuidados chamo de Educação Orquestrada. Seu oposto é o filho largado à própria sorte, sem garantias futuras, o crescimento silvestre.

Os leitores podem encontram nos livros de minha autoria mais detalhes sobre a educação orquestrada, principalmente no Família de Alta Performance: Conceitos Contemporâneos na Educação. Hoje quero lhes passar sobre crescimento silvestre na primeira infância.

Pelo site www.primeirainfancia.org.br/, no artigo "Breve Panorama sobre a Primeira Infância no Brasil" (2007), de autoria de Gabriela Azevedo de Aguiar, Gary Barker , Marcos Nascimento e Márcio Segundo, constam: “É até os 6 anos de idade que as estruturas físicas e intelectuais de crescimento e aprendizagem emergem e começam a estabelecer suas fundações para o resto da vida da pessoa”; “...os primeiros três anos de vida são fundamentais para que a criança tenha uma vida saudável e possa se desenvolver plenamente.”; “... as crianças necessitam de cuidados específicos como: proteção; alimentação adequada; medidas de saúde (como imunizações e higiene), estimulação sensorial e sentirem-se amadas pelos pais e/ou cuidadores ativos. Até os 3 anos de idade, as crianças adquirem habilidades motoras, cognitivas, linguagem e aprendem a ter auto-controle e independência por meio da experimentação e brincadeiras...” e “...mais da metade do potencial intelectual infantil já está estabelecido aos 4 anos de idade.

Porém, as experiências de crescimento e desenvolvimento das crianças na primeira infância variam de acordo com suas características individuais, gênero, condições de vida, organização familiar, cuidados proporcionados e sistemas educacionais (UNICEF, 2005).”

Meu foco neste artigo são as causas dos acidentes e mortes dos filhos nesta primeira infância. São do IBGE e do Ministério de Saúde por meio do Sistema de Informações sobre mortalidade (SIM/MS) e do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) os dados:

Causas de Morte

•até 1 ano de idade:

1.Sufocação;

2.Queda;

3.Passageiro de veículo;

4.Afogamento;

5.Queimaduras com fogo;

6.Choque elétrico;

•de 1 a 4 anos de idade:

1.Afogamento;

2.Atropelamento;

3.Sufocação;

4.Passageiro de veículo;

5.Queda;

6.Queimadura com fogo;

Hospitalizações

•até 1 ano de idade

1.Queda;

2.Queimadura com líquidos quentes e outras fontes de calor;

3.Choque elétrico;

4.Atropelamento;

5.Envenenamento, medicamento, pesticida e outros;

6.Queimaduras com fogo;

•de 1 a 4 anos de idade

1.Queda

2.Queimaduras com líquidos quentes e outras fontes de calor

3.Choque elétrico

4.Atropelamento

5.Envenenamento, medicamento, pesticida e outros

6.Queimaduras com fogo.

Uma educação orquestrada dificulta o surgimento dos eventos acima citados, enquanto o crescimento silvestre favorece.

Crianças na primeira infância necessitam e dependem de cuidados de adultos que as amem, provejam, protejam, alimentem, eduquem, banhem, acariciem, abracem, conversem e brinquem com elas e velem seus sonos, pois elas são incapazes de cuidarem de si mesmas. Todas estas ações estão presentes na educação orquestrada.

São várias as condições para que as crianças sejam soltas à própria sorte num crescimento silvestre. Elas terão menos condições de serem felizes e de atraírem sucessos. Quando os pais deixam de atender às necessidades dos filhos estão sendo negligentes e quando agridem, abandonam, ficam indiferentes às suas carências, estão provocando mal tratos.

O indesejável crescimento silvestre é provocado por várias condições facilmente detectáveis pelos resultados – acidentes e mortes - apresentados acima. Basta em cada item imaginar as situações que provocaram tais eventos. Onde estava o adulto cuidador em cada item citado?

Existem características comuns aos pais que provocam o crescimento silvestre dos seus filhos: são ausentes, egoístas, destemperados emocionais, usuários de bebidas e/ou drogas, negligentes, irresponsáveis, hedonistas, desregrados, contraventores, personalidades psicopáticas, doentes psiquiátricos, neuróticos graves, sérios distúrbios comportamentais etc. Raramente estas características aparecem como sintomas únicos, mas sim com algumas simultaneidades entre elas.

Içami Tiba

Içami Tiba é psiquiatra e educador. Escreveu "Família de Alta Performance", "Quem Ama, Educa!" e mais 26 livros.

Site: http://www.tiba.com.br/
Fonte: http://educacao.uol.com.br/colunas/icami_tiba/2010/04/27/educacao-orquestrada-e-crescimento-silvestre.jhtm

terça-feira, 27 de abril de 2010

Dinheiro Fala

Quando comecei a escrever este artigo eu pensei: “ O que as pessoas gostariam de ler sobre dinheiro que alguém já não tivesse escrito zilhões de vezes, mas de forma diferente?!”
Aí, então, lembrei-me das crianças que vem passando pelo programa Money Camp, das minhas próprias crianças, dos sobrinhos, das crianças de amigos e fui inspirada a partilhar isto com vocês.
 
A verdade aparente sobre o dinheiro é que ele tem uma linguagem própria e é muito simplista e, pra variar, em virtude das nossas crenças, pensamentos e atitudes é que nós, seres humanos adultos, complicamos tudo.
 
Temos tido contato com crianças e jovens de diferentes classes sociais e, como dinheiro, as crianças e jovens – independentemente do nível social – são muito simples e têm uma linguagem própria e, por isso, são muito objetivas.
 
Observo, então, que o dinheiro muito se assemelha a estas crianças e jovens. Veja bem:
 
- Imagine o seu salário e compare-o a um recém-nascido.

No caso do bebê ele fica lá quietinho.

O mesmo acontece com o seu recebimento ao ser depositado.

Depois de algumas horas você sabe que o bebê deverá ser alimentado (energia de troca).

No caso do seu recebimento, ele precisa circular e você começa a pagar as contas (energia de troca).

Só que, observe a inversão da energia de troca: no caso do bebê, nós o alimentamos e no caso do dinheiro, nós o reduzimos, quando o correto seria alimentá-lo, investindo parte do recebimento para que ele vá crescendo saudável.
 
Começou a complicação que nós mesmos causamos, mas vamos lá!
 
Passados alguns anos a criança se desenvolve saudável e cheia de energia porque sabemos que é assim que tem que ser para que continue se desenvolvendo. Às vezes ela cai e se machuca, se levanta, é cuidada e vai crescendo.

Com o dinheiro não deveria ser diferente: tal qual a criança, deveríamos fazê-lo desenvolver-se saudável e cheio de energia porque, no fundo, sabemos que é assim que tem que ser para que continue se desenvolvendo mas, ao invés disto, quando descuidamos e ele escorrega de nossa mão, muitas vezes perdemos o controle total sobre ele e, por alguns meses ( e às vezes anos) ele não nos reconhece mais.
 
E a criança se transforma em adolescente e, de repente, fica parecida com aquele dinheiro que escorregou de nossa mão: temos que ser fortes para não perdermos o controle e, por alguns anos, ficamos com a sensação que vamos enlouquecer e que essa fase nunca mais irá passar.
 
E o adolescente se transforma em um jovem adulto. “ Que bom!”, pensamos. “ Aquela fase tempestuosa passou.”
E o pensamento com relação ao dinheiro: “ Que bom! Aquele rombo financeiro acabou.”
Tal qual o jovem adulto, o dinheiro também necessita ser acompanhado de perto e orientado porque senão....lá estão eles novamente se rebelando.
 
Neste estágio o adulto diz: “ Ah, que saudade de quando ele era um bebê!” e os jovens - como o dinheiro, caso pudesse se expressar -  pensam: “ Ah, esses adultos!”.
 
Definitivamente, dinheiro fala.

Aprenda a linguagem do dinheiro.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

É de pequeno que se conhece o dinheiro

Nosso aluno, Raul, 8 anos, foi entrevistado pelo Jornal da Tarde.
A educação financeira bem aplicada, desperta na criança o interesse, pois ela passa a entender que pode sonhar porque é possível realizar tudo o que ser quer na vida com base no planejamento.

É de pequeno que se conhece o dinheiro


Ensinar noções de finanças para as crianças é uma tarefa que começa cedo, com os pais
PAULO DARCIE, paulo.darcie@grupoestado.com.br



Raul, de 8 anos, embarcou a passeio para os Estados Unidos sexta-feira passada levando US$ 200 que ele mesmo juntou, economizando sua mesada. “Deixei de comprar brinquedos e outras coisas e guardei para usar na viagem”, conta o garoto, orgulhoso. Ele é uma das poucas crianças brasileiras que têm, na escola, aulas de educação financeira, e, segundo sua mãe, Mirza de Luca, começa a mostrar os resultados do estudo na vida prática de casa.

“Ele tem aulas desde os seis anos, e já pondera o que vale a pena comprar ou não e já entende que o dinheiro acaba”, diz ela. E ele não deixa por menos: “Minha mãe gastava muito no supermercado. Agora eu vou com ela e falo para comprar só o que precisa”.

A educação financeira não é disciplina obrigatória nas escolas brasileiras. Projeto de lei que prevê sua inclusão está parado no Congresso desde 2004. Apesar de ainda pouco difundida, pais e escolas vêm percebendo sua importância. Mas, dizem especialistas, não adianta deixar só nas mãos da escola: o exemplo vem de casa.

Para educadores financeiros, o ensino da matéria no Brasil está atrasado em relação a outros países, o que resulta em investidores e pais despreparados. “Há crianças que recebem mesada e não têm noção do que fazer com ela”, conta Silvia Alembert, coordenadora do instituto dedicado à educação financeira The Money Camp.

A falta de parâmetros em casa é o que pode levar crianças ao consumismo. “Ele começa no fim da adolescência, perto dos 18 anos, quando a pessoa começa a ter livre escolha, e é mais comum entre filhos de adultos consumistas”, afirma a psicóloga e coordenadora do Ambulatório de Transtornos do Impulso do Hospital das Clínicas, Tatiana Filomenski

Para o presidente do Instituto Disop de educação financeira, Reinaldo Domingos, educação financeira não se trata de apresentar termos do vocabulário econômico e ensinar a criança a calcular. “É uma busca por bons hábitos e costumes”, afirma. “Para isso é preciso que os educadores e pais estejam preparados para mostrar essas relações.”

O educador e autor de livros didáticos Alvaro Modernell recomenda o início das lições aos cinco ou seis anos. Nos primeiros anos, os conceitos devem ser percebidos pela criança em seu próprio universo. “Ela deve ter noção de que dinheiro acaba, e que é preciso ter antes de gastar”, afirma.

Depois dos dez anos, a criança deve ser instruída sobre a tomada de decisões, a distinguir o supérfluo do necessário, e a perceber as diferenças sociais, sempre priorizando a prática. “É hora de entender por que um colega tem um item e o outro não”, diz Tatiana.

Algumas escolas escolhem abordar o assunto em diferentes disciplinas, como língua portuguesa, geografia e matemática. Segundo Modernell, não é preciso grandes alterações no método. “Trocar Patinho Feio pela fábula da Cigarra e a Formiga, por exemplo, dá espaço para discutir a importância do trabalho”, sugere. Já outras preferem incluir a matéria como disciplina complementar, e adotam métodos como o The Money Camp ou o Disop, que também capacitam pais e professores por meio de palestras e oficinas. Sobre nova matéria, Raul garante: “Eu gosto e todo mundo gosta.”

sábado, 17 de abril de 2010

Alfabetização Financeira - Jornal Valor Econômico







Imagem: Dreamsimage


Mesada e finanças da família são as duas noções básicas
Jacilio Saraiva, para o Valor, de São Paulo

16/04/2010

Como criar filhos mais conscientes em relação ao dinheiro? A administração de uma mesada pode ajudar as crianças a cuidarem melhor das finanças no futuro? Quatro especialistas em educação financeira garantem que a mesada é uma iniciativa positiva, mas deve ser pontual e apresentada aos filhos a partir dos cinco anos de idade. Para manter o equilíbrio monetário no ambiente doméstico, os pais também devem evitar dívidas, planejar investimentos em poupança e previdência privada, além de manter conversas frequentes com os filhos sobre a real condição financeira da família. "É necessário quebrar o tabu de que não se conversa com criança sobre dinheiro", afirma a educadora financeira Silvia Alambert.

Para a especialista, a hora certa para falar de finanças com as crianças é quando elas começam a pedir "coisas". "A partir dos cinco anos, a criança vai ter uma percepção inicial sobre o dinheiro e já consegue realizar escolhas", diz. "Estará mais aberta a receber informações que poderão ser valiosas para o resto da vida."

Sílvia, que é diretora do The Money Camp Brasil, um programa de educação financeira que treinou mais de 2 mil jovens e crianças nos últimos quatros anos, acredita que o pagamento de mesada para os filhos é importante - mas a decisão depende de cada família.

"É uma ação positiva desde que os pais consigam transmitir conceitos de educação financeira e orientem as crianças sobre o uso do dinheiro", afirma. "A mesada permite que as crianças tenham contato com valores e sintam-se confortáveis com o seu manuseio, pois, ao crescerem, terão de lidar com esse assunto todos os dias."

De acordo com Sílvia, a mesada pode ser dada a partir dos cinco anos, com valores pequenos que aumentam à medida que a criança cresce. "Dessa forma, ela se sentirá responsável pelas próprias economias", diz. "A quantia não pode ser muito baixa a ponto de excluir a criança do seu grupo social, nem tão alta que o jovem não consiga realizar um esforço de planejamento para garantir objetivos maiores."

O importante, segundo ela, é que a oferta "caiba dentro do bolso da família" e passe a ser tratada como um acordo entre pais e filhos, com um dia marcado para o recebimento. "Caso contrário, se os pais quebrarem o trato, as crianças poderão entender as pessoas e o dinheiro como não confiáveis." (...)

Silvia diz que para criar filhos mais econômicos, deve-se mostrar a verdade sobre a condição financeira da família, conversar sobre como uma escolha poderá se refletir no futuro de todos e ainda apresentar a "logística" do dinheiro dentro de casa. Ela lembra que não é preciso que os pais digam quanto ganham, mas é importante não criar cenários falsos em relação à situação econômica familiar.

"Há pais que fazem contorcionismos para esconder momentos de dificuldade econômica ou, pior, só abrem o jogo quando a situação está à beira do precipício". Quando isso acontece, os filhos sentem-se enganados por terem sido excluídos de uma situação doméstica. "É necessário conversar sobre dinheiro. Os jovens têm uma percepção muito maior sobre o assunto do que os pais imaginam."

Além da mesada, os especialistas garantem que há outras formas de iniciar as crianças no caminho da educação financeira. "O uso dos cofrinhos para moedas também ajuda a criança a economizar", diz Domingos. "Os filhos precisam entender que, com o dinheiro guardado, poderão atingir objetivos da mesma forma que os adultos poupam para realizar seus planos."

Para o consultor de investimentos Márcio Nobre, os pais devem compartilhar com os filhos o orçamento da casa. "Esse assunto pode ser discutido e, se possível, até com a ajuda de uma planilha que mostre os gastos de energia, água e telefone", diz. "A economia é incentivada e deve ser explicado que, se as despesas continuarem altas, a mesada pode não ser mensal."

Os chefes da família precisam se organizar para pavimentar o futuro do casal e dos filhos. "O casal deve poupar parte dos ganhos para garantir despesas com estudos e com a aposentadoria". É recomendável, segundo ele, contribuir mensalmente com um plano de previdência privada, além de reservar uma economia para investir em renda fixa e variável - se o orçamento permitir. "Se não está sobrando nada para poupar, deve-se rever o orçamento doméstico para que sobre alguma coisa."

Para Nobre, entre as causas mais comuns de endividamento das famílias estão o hábito de não poupar e o incentivo desenfreado ao consumo. "Com a facilidade de crédito, o ato de gastar sem necessidade, apenas por causa de uma promoção ou pela facilidade de pagar em suaves prestações, leva ao acúmulo de contas", diz.

Quando a dívida for feita, é preciso eliminar primeiro as contas que cobram as taxas de juros maiores. Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a dívida mais comum é o cartão de crédito, com 72,5% do total das obrigações, seguido de carnês (27,4%) e financiamento de veículos (12,5%). "Por conta dos juros, as dívidas de cheque especial e de cartão de crédito devem ser evitadas a todo custo", diz Luiz Simões, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

Planos para reduzir gastos caseiros

Na casa da empresária Simone Freire, conversas sobre o uso consciente do dinheiro estão na pauta do dia desde que o filho mais novo tinha cinco anos. "O lema aqui é não ser perdulário, evitar a compra de roupas de marca e avaliar a necessidade de adquirir qualquer supérfluo", diz Simone, casada e mãe de Eduardo, 21 anos; Giovana, 15 e Giulia, nove anos. A estratégia tem dado certo. Giovana acaba de voltar de uma viagem "econômica" aos Estados Unidos e Eduardo vai trocar o seu primeiro carro somente com as economias que conseguiu acumular. Além de conversas frequentes, a educação financeira da família é estimulada por uma planilha de entradas e despesas.

Segundo Simone, os filhos só conseguiram receber mesada por iniciativa da avó, a partir de 2009. Ganham de R$ 50 a R$ 150 por mês, cada um. Para ajudá-los na administração do dinheiro, montou uma planilha com as entradas e gastos mensais. "Apesar de terem mais liberdade para usar o dinheiro que recebem, não podem comprar tudo o que veem pela frente."

O filho mais velho Eduardo, estagiário em um banco há dois anos, conseguiu economizar e pagou a metade do valor do primeiro carro com o próprio dinheiro. Agora, se prepara para comprar um modelo mais novo - e vai arcar sozinho com a troca.

Segundo a psicóloga Márcia Dolores Rezende, educar financeiramente as crianças é um convite para os pais reverem crenças em relação ao dinheiro e à forma de utilizar o recurso. "Pais saudáveis financeiramente também formarão filhos saudáveis", diz. "Ao mesmo tempo, pais com postura perdulária ou de comportamento mesquinho terão grandes chances de desenvolver nos filhos crenças limitantes em relação ao dinheiro e ainda comprometerem a educação financeira da família."

Simone e o marido, que trabalha na área de seguros, finalizam a construção de uma nova casa para a família. "Discutimos com as crianças desde o preço do papel de parede que vamos usar nos quartos até o modelo dos televisores", lembra. No início do ano, a filha do meio, Giovana, preferiu uma viagem de 14 dias à Disney a uma festa de 15 anos. Levou US$ 2 mil e conseguiu comprar presentes.

Para o educador financeiro Reinaldo Domingos, o controle das finanças pode ser feito com uma reunião familiar mensal ou bimestral. "É um bom começo para que as crianças saibam que o dinheiro é um objeto de troca e que as despesas de uma casa sejam conhecidas por todos", avalia. "Quando os filhos entram nesse processo desde cedo são capazes de fazer uso consciente do dinheiro e entendem que gastar mais poderá eliminar benefícios como um presente ou uma viagem de férias."

Segundo a educadora Sílvia Alambert, uma boa alternativa para controlar os gastos caseiros é fazer um plano de economia e gastos. "Com esse hábito, fica mais fácil visualizar onde está o excedente que não permite uma vida financeira tranquila e enxergar o ralo por onde o dinheiro está escoando."

Para o consultor financeiro Márcio Nobre, fazer uma força- tarefa com toda a família para economizar em gastos essenciais como luz, água e telefone também pode ajudar a manter o orçamento doméstico nos trilhos. "A educação financeira deveria ser uma matéria básica do ensino fundamental nas escolas." (J.S.)


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Parece que foi ontem...

Image: Dreamstime

" Quem ama também educa financeiramente." - Silvia Alambert

Desde que a matéria abaixo saiu na edição da Veja há quase 9 anos, percebe-se que pouco se evoluiu com a educação financeira DOS JOVENS.

Os pais se preocupam em investir para garantir a educação dos filhos, mas eles se preocupam ou pensam no esforço dos pais para mantê-los? Infelizmente, parece que não, já que " A fatia dos jovens no universo dos inadimplentes cresce de forma assustadora: 10% deles têm até 20 anos e 39% têm idade entre 21 e 30 anos (sim, os balzaquianos também são considerados jovens nos dias de hoje). Juntos, os consumidores até 30 anos foram responsáveis por 49% dos calotes dados em 2006 junto a bancos, administradoras de cartão de crédito e financeiras. Em 2005, somaram 44%. Os dados foram divulgados pela Telecheque na quinta-feira 18. “Os jovens tiveram acesso ao crédito fácil demais nos últimos dois anos. Ficaram deslumbrados e perderam o controle”, diz José Antônio Praxedes, vice-presidente da Telecheque." Fonte: IstoÉ Independente - 24 de Janeiro de 2010

Papais e mamães, garantam que seus filhos tenham tudo de bom para o futuro que os aguarda, inclusive EDUCAÇÃO FINANCEIRA.

Quanto custa criar um filho, do berço ao diploma.

Vinte anos passam voando e muitos casais jovens já se planejam para custear as despesas futuras dos filhos.

Fernanda Colavitti e Carolina Botelho
Revista Veja - Edição Especial Novembro de 2001


Criar um filho numa família brasileira de classe média, do berçário até o diploma de faculdade, custa alguma coisa em torno de 320 000 reais. Na classe média alta, o custo passa dos 600 000 reais. Beira o 1 milhão de reais se o herdeiro for da classe alta. Esses são os números a que chegou o economista e consultor Mauro Halfeld, da Universidade Federal do Paraná, que fez o levantamento a pedido de VEJA Seu Investimento. Os resultados detalhados estão no quadro. Autor de Investimentos – Como Administrar Melhor Seu Dinheiro, Halfeld fez três simulações com um casal que cria e educa um filho, até a idade de 22 anos, quando obtém o diploma na faculdade. A cada item, como habitação, alimentação, transporte, despesas pessoais, saúde, vestuário e educação, foi atribuído um peso diferente.



Mais do que buscar a precisão absoluta do cálculo, o consultor paranaense procurou encontrar uma fórmula simples e objetiva para auxiliar os pais no planejamento do futuro de seus filhos. É o que muitos já estão fazendo, como o analista de sistemas Cláudio Hendo, 38 anos, e a agente de turismo Mari Yamaguchi, 28. Casados e residentes em São Paulo, eles separam 168 reais todo mês para uma conta especial em nome da filha, Larissa, de 1 ano e 2 meses. "Quando ela chegar aos 21 anos, terá dinheiro para pagar a faculdade e ajudar na pós-graduação no exterior", Mari calcula. Exagero de preocupação com o futuro? De maneira alguma. O casal Cláudio e Mari expressa bem a inclusão de um novo item no orçamento doméstico da família de classe média brasileira – a compra de um plano de previdência voltado para a educação dos filhos no futuro. Eles escolheram o Renda Total Júnior, lançado pela seguradora BrasilPrev, uma associação entre o Banco do Brasil e a empresa americana Principal Financial Group, um gigante internacional do setor. Em 2020, Larissa terá à disposição 100 114 reais, pois o dinheiro vai sendo aplicado como um fundo de investimento.



Mais precisamente, o Renda Total Júnior é um tipo de Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL), hoje a modalidade mais aceita de previdência privada no Brasil. Inicialmente concebido para a aposentadoria, o PGBL passou a atender sob medida os futuros doutores e bacharéis. As principais instituições do ramo têm produtos concorrentes, como a Bradesco Previdência, que oferece o Prev Jovem. O Unibanco AIG comercializa o Prever Kids, destinado a todas as pessoas que desejam presentear um filho, sobrinho, neto ou afilhado. No momento da aquisição do plano, escolhe-se a idade em que o menor começará a usufruir o Prever Kids e o período de recebimento da renda temporária no futuro, de quatro a seis anos. A contribuição mínima mensal do Prever Kids é de 80 reais. Para quem faz para mais de um membro da família, esse valor cai para 40 reais. Quanto maior a contribuição mensal, obviamente maior será o retorno no futuro. Depois de uma carência de 180 dias, o dinheiro pode ser tirado para uma emergência. Outras vantagens são a possibilidade de abatimento no imposto de renda e uma valorização superior à da caderneta de poupança, ao longo dos anos.



Esse é um bom caminho, particularmente para quem sonha alto com a educação dos pimpolhos, como a obtenção de um MBA (o diploma de Master in Business Administration, a pós-graduação que virou passaporte obrigatório para carreiras no mercado financeiro, marketing e em gestão empresarial). "Bancar o curso, a alimentação e a moradia é uma despesa alta e não sai por menos de 250 000 reais", afirma Ricardo Betti, consultor paulista que se especializou em assessorar candidatos que desejam obter um MBA.

Como base para chegar ao resultado final do quadro abaixo, o economista Mauro Halfeld usou a Pesquisa de Orçamentos Familiares 1998/1999, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe), que contabiliza os gastos anuais básicos, com alimentação, saúde, moradia, transporte, vestuário, educação e despesas pessoais, de 2 350 domicílios no município de São Paulo. Para as famílias com renda acima de 20 salários mínimos (que é o caso de todas as classes analisadas), a distribuição é a seguinte: habitação (28%), alimentação (14%), transportes (18%), despesas pessoais (14%), saúde (9%), vestuário (6%) e educação (11%). Como ajuste adicional, ele atribuiu ao filho 80% dos gastos com educação. A diferença foi deduzida na mesma proporção dos gastos com habitação e transportes. Halfeld levou em conta que as depesas com educação dentro da família são maiores para os filhos. Para efeito de uniformizar o resultado, a renda familiar foi mantida constante na projeção dos 22 anos, e o resultado final foi distribuído de acordo com a divisão estabelecida pela Fipe."

Classe Média
Renda Mensal da Família: R$ 3.600,00 a R$ 7.200
Habitação: R$ 64.680,00
Alimentação: R$ 42.000,00
Transporte: R$ 30.660,00
Despesas Pessoais: R$ 46.080,00
Saúde: R$ 29.400,00
Vestuário: R$ 18.120,00
Educação: R$ 89.460,00
Total: R$ 320.400,00

Classe Média Alta
Renda Mensal da Família: R$ 7.200,00 a R$ 10.800,00
Habitação: R$ 129.360,00
Alimentação: R$ 84.000,00
Transporte: R$ 61.320,00
Despesas Pessoais: R$ 92.280,00
Saúde: R$ 58.800,00
Vestuário: R$ 36.240,00
Educação: R$ 178.920,00
Total: R$ 640.920,00

Classe Alta
Renda Mensal da Família: acima de R$ 10.800,00
Habitação: R$ 194.040,00
Alimentação: R$ 126.000,00
Transporte: R$ 91.980,00
Despesas Pessoais: R$ 139.200,00
Saúde: R$ 88.200,00
Vestuário: R$ 54.360,00
Educação: R$ 268.380,00
Total: R$ 962.160,00



domingo, 4 de abril de 2010

As 15 Regras que As Crianças Deveriam Saber Sobre Dinheiro

Imagem: ivanerix.zip.net

Por JEFF D. OPDYKE

Tradução: Silvia Alambert

Crianças e dinheiro: um cálculo simples. Do nascimento até a formatura da Faculdade, crianças consomem tanto dinheiro quanto consomem nuggets.

Para aqueles de nós que ainda nem alcançamos a nossa independência financeira, fica parecendo que não tem fim. A demanda financeira necessária para se educar um filho requer dinheiro que talvez você pensasse em guardar para se preparar para a aposentadoria ou para comprar uma casa mais legal ou “ aquele” carro esportivo ou aquelas férias suntuosas e que deverá – fora o que é necessidade – ser substituído por conjuntos de Legos, visitas ao pediatra e uniformes escolares e brinquedos de Natal e uma poupança para a Faculdade e uma minivan e uma viagem à Disney....e muitos, mas muitos nuggets.

Não estou menosprezando as crianças. Eu mesmo tenho 2 e o dinheiro não é nada comparado a alegria que eles trazem a mim e à minha esposa, mas, independentemente da felicidade, não vamos negar o fato do momento da chegada de uma criança – nem mesmo os meses anteriores à chegada deles – que seu papel enquanto adulto muda drástica e profundamente.

E com a mudança, transforma-se, também, a vida financeira da família.

Ensine Bem Suas Crianças

1. Somente gaste dinheiro DEPOIS que você ganhá-lo.

2. Quando seus filhos começarem a pedir para ir comprar brinquedos, comece a considerar a introdução de uma mesada.

3. O valor da mesada não deve ser tão baixo a ponto de sua criança se sentir excluída do grupo ao qual pertence e nem tão alto a ponto dela poder adquirir qualquer coisa sem o mínimo de esforço e planejamento.

4. Tirar boas notas é o esperado e ajudar em casa é a prática para um bom convívio familiar e nada tem a ver com remuneração. (A mesada não se aplica a isso)

5. Se 16 anos é a idade legal para se começar a trabalhar, encoraje-os aos 13 e leve-os a pensar sobre como poderão arrumar meios de obterem uma renda.

6. Oriente e aconselhe seus filhos sobre dinheiro. Não imponha sobre o que devem fazer.

7. Exceder o saldo do cartão que você lhe confiou significa perder o acesso ao cartão por uma semana ou mais. Extrapolar de novo com o cartão que você lhe confiou, significa perda do cartão até que o saldo excedente do cartão seja quitado(*se o limite era de R$ 100,00 e ele comprometeu R$ 200,00...um mês sem cartão - e no caso de ser um cartão adicional. Há cartões com limites pré-estabelecidos: acabou. Acabou).

8. Somente 50% do que foi poupado no porquinho deverá ser utilizado para comprar coisas. Os outros 50% devem permanecer no porquinho.

9. As crianças devem ter o direito de quebrar financeiramente para não repetirem o erro. (* Dê algum dinheiro a eles e observe o movimento. Retome a regra #6)

10. Quando chegar o momento de ensiná-las a investir em ações, os jovens devem entender uma Empresa em um nível básico, a ponto de saberem quem são os gestores, quem são os clientes, quais as estratégias para crescimento, onde está e onde pretende estar no futuro.

11. Você não precisa ser rico para começar a conversar com seus filhos sobre mercado de ações (*deve, no mínimo, entender o que é e porque isto poderá ser interessante para ele no longo prazo).

12. Ensine a importância da doação (*e não é somente sobre dinheiro).

13. Os pais não deveriam " se matar" financeiramente para pagar pelas despesas da Faculdade de seus filhos (caso não tenham realizado nenhum tipo de planejamento para isso)(* A questão cultural aqui tem um peso muito grande, já que no Brasil a maioria das " crianças" só vai para o mercado após se graduarem no Ensino Superior e o sentimento de culpa dos pais que, por alguma eventualidade, não podem " bancar" a faculdade do filho tem um peso muito significativo. Os americanos são menos críticos e crêem que, nesta idade, o filho já possa e deva estar em vida produtiva com, no mínimo, a responsabilidade de poder dar continuidade aos seus estudos e, sem dúvida alguma, como aqui no Brasil, há exceções a se considerar.)

14. Um dos maiores presentes que você poderá deixar ao seu filho é a sua própria auto suficiência financeira quando estiver mais velho.

15. Deverá haver uma hora em que os pais devem avisar aos filhos que o “Banco do Papai e da Mamãe” encerrou as atividades (* e não deveria ser aos 30 anos de idade).

Agora você não está somente "encostado na parede" pela questão da demanda financeira pelas próximas duas décadas com relação a educar filhos, como também tem uma nova obrigação que é a de ensiná-los sobre finanças pessoais, de forma que ele possa se transformar em um adulto tranqüilo e bem relacionado com o próprio dinheiro. Vocês, pais, são os primeiros modelos e o link mais essencial no processo de aprendizagem de suas crianças.

Um monte de coisas para Ensinar

Eu sei que o dinheiro parece ser uma coisa simples e que parece que não tomará muito de seu tempo para ensinar sobre isto. Afinal de contas, você já sabe sobre isso há algum tempo e já aprendeu a ganhá-lo, no mínimo, há alguns anos. O que tem mais para aprender sobre isso, de fato? E o que mais você realmente precisa saber para passar o conhecimento aos seus filhos que você ainda desconheça? Bem, se estatísticas forem um indicador….ainda tem muito.

Em uma pesquisa realizada pela Jump$tart - uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo a difusão da educação financeira pessoal - para medir o quanto os jovens do Ensino Médio entendiam sobre finanças pessoais, descobriram que menos de 10% dos entrevistados sabiam responder satisfatoriamente sobre questões financeiras pessoais; muitos não tinham nem idéia de como se fazia o balanço de um canhoto de cheques e a maioria - mais da metade dos alunos - seria reprovada se educação financeira pessoal fizesse parte do currículo escolar.

Ainda que a educação financeira pessoal seja claramente uma necessidade na vida das pessoas, isto não significa que seu filho deva ter um M.B.A. em análise de risco ou que você terá que contratar um consultor financeiro para ministrar cursos a ele, mas é óbvio que as crianças necessitarão de melhores informações para que possam gerenciar seus próprios recursos financeiros no futuro.

Crianças tem uma capacidade infinita de ouvir o que seus pais dizem - mesmo naqueles momentos em que estamos convictos de que eles não estão ouvindo nada do que estamos falando. Além disso, há o conceito de que você está “repetitivo demais” e poderá não ser compreendido na primeira vez ou na terceira ou na oitava, mas terá um momento , talvez lá pela enésima vez ou talvez em um dos muitos momentos em que você colocará a questão, que seu filho irá entender quase como por um milagre o que você está dizendo.

Claro, pode ser que você nem perceba qual é o momento, mas ainda assim você saberá.

Voltando de um jogo de futebol de meu filho há um ano atrás ou mais, estávamos eu, ele e um amigo, quando passou por nós um carro esportivo Italiano a não sei quanto por hora. O amigo de meu filho falou: “ Wow, aquele cara é rico.”

Meu filho, envolto com um desses games, rapidamente olhou pela janela e reflexivo comentou, “ Não é o quanto de dinheiro que você gasta que o torna uma pessoa rica. Você não sabe; aquele cara pode ter usado todo o dinheiro dele só para comprar aquele carro e não ter mais nada. Aí, pode ser que ele não seja rico.”

Nesta situação, ocasionalmente, ele foi conversando com o amigo sobre a definição de riqueza sem ter que pensar muito sobre o que ele estava falando e as palavras fluíam naturalmente.

Ele provou que mamãe e papai realmente podem fazer a diferença ao transmitir sempre um pouco de conhecimento financeiro às suas crianças. É como usar um conta gotas. Ele foi recebendo pequenas doses destas informações desde pequeno, mas sempre.

Deixe uma Boa Primeira Impressão

Crianças são mais influenciadas quando são menores e é pouco provável que tenham algum tipo de informação desta ordem fora do ambiente familiar.

Não é dizer que você não consiga modificar hábitos ou crenças que eles tenham, mas ao atingirem a adolescência, suas mensagens já não terão tanta influência e impacto.

Basicamente, o objetivo não é moldar as crianças a somente pensarem sobre a questão financeira e riqueza. É educá-las para que sejam adultos cuidadosos com suas finanças e que saibam gerenciar confortavelmente os vários aspectos de suas vidas com relação ao dinheiro: seja gastando, poupando, investindo ou doando.

Pode ser que seu filho venha a acumular riqueza. Pode ser que não. Mas a verdadeira medida de seu sucesso nesta empreitada é a de que seu filho, quando adulto, nunca venha a ter problemas em compreender quais são as bases das finanças pessoais.

Este será - sem nenhuma margem de dúvida - o grande legado que você deixará. Melhor do que qualquer herança que você possa vir a deixar.

Adaptado de parte do livro "Piggybanking: Preparing Your Financial Life for Your Kids, and Your Kids for a Financial Life." Copyright 2010 by Jeff D. Opdyke. Published by Harper Business, an imprint of HarperCollins Publishers. )
Escrito por Jeff D. Opdyke at jeff.opdyke@wsj.com

(*) Comentário de Silvia Alambert, educadora financeira, diretora executiva The Money Camp Brasil - Educação financeira de crianças e jovens.