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terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Sonho Cor de Rosa

"Os seres humanos têm uma habilidade extraordinária de transformar nada em algo. Eles conseguem transformar ervas daninhas em jardins e moedas em fortunas." - Jim Rohn

Toda vez que tenho conhecimento de uma história de sucesso, algum caso no qual a pessoa partiu do zero – e aqui quero dizer que iniciou algo sem ter dinheiro, só uma ideia – e fez história com algum produto ou serviço, fico entusiasmada em querer compartilhar porque isso significa que qualquer um que tenha um desejo forte, um sonho – qualquer um mesmo – com disposição, disciplina e persistência pode fazer o mesmo.

Há quem diga que essas pessoas tiveram sorte. E tiveram mesmo: a sorte de não desistirem de seus sonhos, de seus ideais.

Veja o caso de Jesus. 
 
Jesus Noberto Gomes nasceu em Vitória do Mearim 06 de junho de 1891. Aos 14 anos mudou para São Luis, capital do estado do Maranhão, na esperança de trabalhar em qualquer coisa e ganhar dinheiro. Seu primeiro emprego foi na farmácia Marques, de Dr Augusto César Marques, onde aprendeu em pouco tempo as receitas e logo subiu de categoria. Com a ânsia de vencer na vida, aos 20 anos comprou a farmácia Galvão. A partir desse momento, começou a fabricar o injetável contra a gripe intra-muscular “Gomegaya Jesus”, antigripal Jesus, peitoral Jesus e Jesulina (pasta dentifrícia). Com o passar dos tempos, criou uma seção de águas gasosas e refrigerantes, iniciando as pesquisas para produzi-los. Então, surge o primeiro produto GUARANÁ JESUS, que possuía leve sabor amargo e não agradou a maioria dos degustadores. Obstinado, continuou as experiências.
O guaraná Jesus, criado em 1920, enraizou-se no gosto maranhense. Com pouquíssima propaganda, tornou-se quase um símbolo cultural do Estado. Ele deu origem a um subsegmento, o guaraná rosado, comum também no Piauí e Pará. 

O objetivo de Jesus, quando criou a bebida, era sintetizar um medicamento para o estômago utilizando uma máquina de gaseificação importada, no entanto sua criação fracassou e ele resolveu transformar o suposto remédio em uma bebida doce e inofensiva para os seus netos, com o tempo a bebida extrapolou o âmbito familiar e mais tarde tornou-se um grande sucesso na região.

Guaraná Jesus é um refrigerante de cor rosa, com um cheiro peculiar parecido com tutti-frutti e sabor adocicado, lembrando vagamente cravo e canela, devido a estes serem dois de seus, segundo a lenda, 17 ingredientes. Os ingredientes são, até onde se sabe, naturais, são extratos de guaraná, que contém cafeína,teofilina e teobromina, coletados em uma viagem que Jesus fez para a Amazônia, é por isso que muitos maranhenses falam que este é o único refrigerante que não agride o corpo humano.

A bebida construiu um mercado tão forte no Maranhão que suas vendas superaram as da conhecida concorrente e, por causa disso, em 2001, a filial maranhense da concorrente comprou os direitos de distribuição e a fórmula da bebida, impedindo sua saída do estado de origem, único lugar onde é produzido.
A popularidade do refrigerante mais conhecido do Maranhão vai contra toda a lógica publicitária, pois até 1998 nenhuma propaganda do produto tinha sido veiculada em qualquer meio de comunicação. Em 2007, a revista Seleções, na edição de janeiro, no prêmio 100 Mais Brasil, que destacou os 100 acontecimentos, produtos ou fatos mais falados no ano anterior, premiou o Guaraná Jesus como a melhor bebida do Brasil.

O poder comercial da bebida é tão grande que turistas chegam a levar estoque do refrigerante para seus estados/países e as agências de viagem usam a bebida, alinhada com o folclore, como forma de atrair os turistas para o estado.
 
Portanto, para todos aqueles que ficaram curiosos em conhecer esta bebida, de sabor característico, em tentar entender o seu grande sucesso, restam apenas três opções:

- Ir ao estado do Maranhão e adquirir o produto;
- Encomendar por meio de amigos ou adquirir por meio de alguns sites de compra;
- Esperar que a política comercial do produto seja alterada e ele passe a ser comercializado em outros estados.

Eu experimentei e aprovei. Jesus é bom.

Nunca desista dos seus sonhos, sejam eles da cor que você quiser.




quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Você Quer. Você Pode.

Imagem: dreamstime
“ Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez.” – Jean Cocteau

Quando somos jovens, somos sonhadores e realizadores e nada parece ser tão complicado a ponto de deixarmos de, pelo menos, tentar. Nada parece ser sombrio ou ousado demais. O mundo até parece ser pequeno para tudo o que queremos realizar, mas eis que chega um momento na vida que parece que somos atingidos pelo raio sonífero da realidade. E o que é realidade? Realidade é tudo aquilo que os outros querem que acreditemos que seja, ao longo de nossa formação e de nosso crescimento:

“ Você não pode fazer isto”; “Ninguém faria uma coisa dessas”, “ Isso não vai funcionar”, “Você acha que isso vai dar certo?”, “ Isso é ilusão”, “ Isto não é para você!”.

Todos os realizadores já devem ter ouvido frases dessa ordem, ainda que tenham se negado a acreditar nelas. Essas pessoas (os sonhadores realizadores) se recusam a aceitar a “realidade” da vida dos outros em sua própria vida e simplesmente seguem acreditando e construindo as pontes que as levarão a realização de seus sonhos.

Portanto, não acredite em tudo o que dizem parecer ser impossível ou que não poderá ser realizado. Acredite em seus sonhos e persiga-os. Permita-se construir sua própria história de vida.

Lembre-se que sonhar é para todos, mas são poucos os que tem a ousadia de transformar um sonho em realidade e, muito provavelmente, são menos ainda os que tem energia para ao menos tentar colocar õs sonhos em um plano real. “ Ah, isso é muito trabalhoso” ou “ Quem iria comprar uma idéia dessas?” ou ainda " Só me resta sonhar" é o que a maioria das pessoas pensam e dizem, mas uma coisa é certa: não importa quão magnífico seja seu sonho, ele continuará sendo somente um sonho se você não se puser em movimento.

Se você realmente deseja transformar seus sonhos em realidade, você terá que planejar e executar, executar e planejar, ou seja, você precisará se colocar em movimento, em ação. Então:

1) Esteja decidido sobre o que irá realizar.

2) Planeje-se para a ação: Por que quero realizar este sonho? Como devo me preparar para tirar este sonho do imaginário e traze-lo à realidade? O que ou de quem exatamente precisarei para me ajudar a realiza-lo? Quando pretendo realizar este sonho?

3) Declare sobre o que você decidiu realizar com familiares e amigos – isto já lhe dará meio que uma “obrigação moral”, um comprometimento com você mesmo de que você irá iniciar seu projeto de vida.

4) Planejamento: Reveja seus passos iniciais e veja se continua no caminho ou se foi “abduzido” de seu sonho inicial ou se está se distanciando dele.Se necessário, ajuste as velas e siga em frente. Avalie-se sempre para ver se está progredindo em seus passos para transformar seus sonhos em realidade.

5) Celebre. Sim, imagine o tempo inteiro a grande festa de celebração da sua própria vitória. Como vai ser? Quem que você quer que esteja lá vibrando com você e orgulhoso por você? Donald Trump diz que “ Sonhar grande ou sonhar pequeno, dá o mesmo trabalho”, então SONHE GRANDE.

6) Continue executando e planejando até que... lá estará você no topo da sua montanha.

O melhor momento de nossas vidas para darmos início à realização de qualquer sonho (viagem de formatura, carreira a ser seguida, casamento, um negócio próprio, uma conta de investimentos, uma viagem pelo mundo, compra da casa própria, seja lá qual for o seu sonho) é HOJE.

Podemos realizar todos os sonhos que desejamos fortemente, pois só quando realmente queremos e desejamos algo com muita intensidade é que nos colocamos em ação para realiza-lo e, incrivelmente, tudo parece se encaixar perfeitamente para que eles aconteçam; somos fortes e destemidos, tal qual como na juventude.

Então, eu deixo a pergunta para você refletir: Você tem sido um realizador ou um atropelador de sonhos?

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Educação financeira não é só coisa de gente grande

Fonte: http://brasil247.com.br/pt/247/seudinheiro/15717/Educa%C3%A7%C3%A3o-financeira-n%C3%A3o-%C3%A9-s%C3%B3-coisa-de-gente-grande.htm

Educação financeira não é só coisa de gente grande
Educação financeira não é só coisa de gente grandeFoto: Shutterstock

De forma lúdica e eficiente, crianças podem ser estimuladas, desde cedo, a se tornarem adultos com inteligência financeira. Prerrogativa de ensinar é dos pais

21 de Setembro de 2011 às 00:01
Luciane Macedo _247 -- "Você não sabe o valor do dinheiro", diziam os pais da geração baby-boomer, em tom de severa censura, diante das incessantes demandas dos filhos por mais e mais brinquedos, doces e diversões. E muitas dessas crianças, da chamada geração X, tornaram-se adultos tateando na penumbra quando o assunto é finanças. Poucos foram educados em casa sobre o valor do dinheiro e o custo de realizar desejos. O cenário econômico de quem cresceu nos anos 80, com inflação galopante, desvalorização diária da moeda, especulação e até escassez de bens, foi totalmente desfavorável às intenções dessa geração de se educar no trato com seu dinheiro. Esse aprendizado foi conquistado tardiamente, a passos lentos. E a disciplina financeira é, em grande medida, mais recente ainda, um exercício diário.
Mas as crianças e adolescentes de hoje, da geração Y, têm a chance de reverter esse quadro desfavorável que perdura há décadas no Brasil. Plugados na internet, eles querem tudo: do último gadget às grifes mais quentes do momento, dos brinquedos mais modernos à viagem dos sonhos para a Disney. Pode parecer, aos pais, que a lista de prioridades desses meninos e meninas é simplesmente sem fim. Mas ambos têm em mãos uma ferramenta poderosa para administrar todos esses desejos: educação financeira. E ela pode ser tão simples quanto enviar seus filhos para se divertir num acampamento durante as férias escolares ou aproveitar as oportunidades -- "Pai, compra, compra, compra! -- para ensinar, desde cedo, o valor do dinheiro.
Para além dos números e dos livros, o aprendizado vivencial e familiar fica para a vida toda. Pesquisas mostram que crianças que aprendem a lidar com seus desejos de consumo e a administrar seu dinheirinho desde cedo estão mais propensas a se tornarem adultos disciplinados com suas finanças pessoais e mais preparados para investir no futuro, fazendo escolhas inteligentes e trocas vantajosas.
Ensinar através do aprendizado vivencial, de forma leve e divertida, é a proposta de Silvia Alambert, licenciadora oficial e diretora-executiva do programa The Money Camp no Brasil. A criação americana, que já beneficia crianças e jovens em dez países, foi "totalmente tropicalizada" por Silvia para se adaptar ao contexto das crianças brasileiras. O Money Camp pode ser levado a qualquer sala de aula e também conta com um acampamento em Atibaia, onde gincanas e jogos ao ar livre estimulam as crianças a pensar financeiramente, mas sem a complicação de fórmulas ou teorias que elas não podem compreender. Aliás, não há ensino teórico e nem livros na metodologia do Money Camp. "Não dá para abrir uma fórmula de juros compostos para uma criança, mas ela aprende através de dinâmicas e brincadeiras", diz Silvia. "Há um único livro de atividades que a criança pode abrir, em casa, para recordar o que aprendeu, mas só se ela tiver vontade", acrescenta a diretora do Money Camp, assinalando que, geralmente, as próprias situações que se apresentam posteriormente, no dia-a-dia normal das crianças, acabam trazendo à tona as memórias e lições do aprendizado vivencial que tiveram.
Segundo Silvia, geralmente as crianças chegam meio desconfiadas ao acampamento quando se fala em educação financeira. "Elas acham que vão ficar trancafiadas", brinca a educadora. "Mas quebra-se o gelo já dentro do ônibus, quando as crianças recebem um dinheiro de mentirinha", conta Silvia. O dinheiro serve para as crianças se manterem no acampamento.
A metodologia inovadora do Money Camp, vivencial e lúdica, foi o que mais estimulou Silvia a licenciar o programa por aqui. Em meio a seus pares, sem os pais por perto e com muita diversão, as crianças brincam de ser investidores, empreendedores, aprendem o valor do dinheiro e até os juros compostos do cartão de crédito. "Elas chegam ao acampamento achando que o cartão de crédito é simplesmente um cartão mágico, porque a mãe entra na loja com o cartão e sai com um monte de compras", comenta Silvia, bem-humorada.
A interação com as crianças rende à educadora vários momentos engraçados e de satisfação pessoal ao ver que as crianças realmente voltam para casa diferentes. "Teve uma mãe que veio me contar que tomou bronca do filho porque estava usando o cartão de crédito sem ter pago a fatura integral", relembra Silvia. "É um aprendizado pela brincadeira e não pela dor, como foi com a geração anterior", salienta, referindo-se aos brasileiros endividados que só começaram a aprender como equilibrar suas finanças pessoais depois de ter ficado sem crédito, nas listas de mau pagadores.
"As pessoas acham que educação financeira é só falar de investimento e dinheiro", comenta Silvia. "Na verdade, é bem mais que isso, diz respeito à maneira como as pessoas se comportam com o dinheiro e isso envolve todos os hábitos e crenças adquiridos ao longo da vida", ressalta a educadora e membro da International Association for Citizenship, Social & Economics Education, com sede na Inlgaterra. Formada em secretariado bilíngue, Silvia se dedicava à área de treinamento e desenvolvimento empresarial e ao ensino de inglês antes de ir aos Estados Unidos para conhecer a criadora do Money Camp, Elisabeth Donati, e, assim, poder trazer o inovador programa ao Brasil.
Desde 2007, mais de 2.200 crianças já passaram pelo acampamento e cerca de mil vivenciaram o programa inovador em sala de aula. Duas escolas incorporaram a metologia lúdica do Money Camp ao seu currículo, entre elas o Colégio Castelo Branco, na capital paulista.
São números pouco representativos para um país das dimensões continentais do Brasil -- mais ainda considerando-se o fato de que, até recentemente, não se aprendia educação financeira nas escolas públicas e nem nas particulares, com raras exceções. Segundo Silvia, vários fatores alimentam essa realidade, entre eles o atraso da própria escola brasileira e também um certo preconceito com a idéia de ensinar nossas crianças a terem inteligência financeira desde cedo. "Por incrível que pareça, algumas pessoas temem que os filhos se tornem pessoas ganaciosas", comenta a diretora-executiva do Money Camp, assinalando que este tipo de temor não poderia ser mais injustificado, já que vivemos na era da informação. "A geração do século 21 quer coisas consistentes com a vida deles, porque eles têm toda a informação disponível, enquanto que a escola está no século 19", critica a educadora.
Neste sentido, o projeto-piloto de educação financeira do Ministério da Educação, em andamento em mais de 900 escolas, já é um passo adiante. Mas a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) é direcionada, pelo menos por enquanto, apenas ao ensino médio. A iniciativa de incluir as crianças, continua sendo, portanto, uma prerrogativa dos pais.
Mas como educá-los? "Educação financeira se faz o tempo todo", indica Silvia. "Nossos filhos são ótimos vendedores, nos convencem a comprar tudo", brinca a educadora. "São nesses momentos que os pais devem aproveitar a oportunidade e iniciar uma outra conversa, que desperte o interesse da criança", orienta. Algumas boas estratégias são fazê-la pensar em algo melhor ou oferecer escolhas atraentes. Veja mais dicas da diretora-executiva do Money Camp, especialmente para "Seu Dinheiro", no texto abaixo. "Os melhores modelos estão dentro de casa", diz Silvia. "Seria muito importante que os pais conversassem com os filhos sobre dinheiro, poupar e investir, porque a escola, sozinha, não consegue", assinala a educadora. "O ideal seria que houvesse um trabalho conjunto entre pais, educadores e crianças", conclui.
Para saber mais sobre o Money Camp e as temporadas de férias no acampamento, visite o site em wwww.themoneycamp.com.br.
Arquivo pessoal

O mundo do dinheiro na vida prática dos pequenos
A educadora Silvia Alambert orienta como os pais podem aproveitar inquietações comuns dos filhos para ensinar conceitos simples de educação financeira
O que diz a criança: "Quero ser sócia do dono daquela padaria. Você ouviu ele dizer quantos pãezinhos ele vende por dia"?
Conceitos: trabalho, remuneração, empreendedorismo, investimento, inteligência financeira
Como você pode orientar seus filhos: É importante que as crianças aprendam desde cedo que, para se ter dinheiro na vida, é preciso trabalhar. Ainda que você seja dono do seu próprio negócio e tenha
funcionários trabalhando por você, você cuida para que seu negócio prospere. Mostre que há formas de colocar o dinheiro para "trabalhar" junto com você para que, no futuro, você possa trabalhar apenas porque gosta, e não mais porque precisa. É importante mostrar às crianças que pessoas com inteligência financeira colocam seu dinheiro para "trabalhar" por elas. Quando você troca o seu tempo e energia por dinheiro, você está trabalhando, tendo que ralar para manter um estilo de vida que você escolheu para você e sua família. Ao colocar todos os meses parte do seu dinheiro para "trabalhar" por você em algum tipo de investimento, seu dinheiro começa a "trabalhar", dando “filhotes”. Os “filhotes” vão crescendo, ficando maiores e dando outros “filhotes”. Até o momento que haverá tantos “filhotes” do dinheiro que você investiu trabalhando por você, que você não mais precisará trabalhar duro e poderá curtir a vida como sempre sonhou. Multiplicar dinheiro é colocar o dinheiro para "ralar por você", enquanto você pode curtir as coisas que escolher fazer. Não é uma boa idéia ensinar as recompensas do trabalho aliado à inteligência financeira?
O que diz a criança: "Tem dias que meu pai diz que podemos sair, porque ele tem dinheiro. Mas, em outros, ele fala que não podemos, porque ele não tem mais dinheiro. De onde veio o dinheiro e por que ele acabou"?
Conceitos: dinheiro, de onde vem, como é usado em casa, despesas e lazer, orçamento familiar
Como você pode orientar seus filhos: Deixar a criança no vazio é um dos grandes erros que os pais cometem de forma inconsciente, pois elas não entendem porque um dia tem dinheiro e no outro dia não tem. É preciso explicar a elas de onde vem esse tal dinheiro que parece aparecer e desaparecer como um coelho numa cartola mágica. É preciso que elas entendam que dinheiro é fruto de trabalho e trabalhar significa você trocar seu tempo e energia por dinheiro que irá proporcionar a elas a moradia, a alimentação, as roupas, os brinquedos, as viagens, e que há uma quantia a ser gasta com algumas coisas durante o mês. Deixar a criança achando que simplesmente "não tem dinheiro" é deixá-la pensando que estão falidos. Então, é importante mostrar a elas de onde vem o dinheiro e como ele é distribuído no orçamento familiar ao longo do mês.
O que diz a criança: "Mãe, nós somos ricos"?
Conceitos: riqueza, ser e ter, dar valor ao que se tem, gratidão
Como você pode orientar seus filhos: É muito comum crianças olharem para outras crianças e julgarem que são ricas só porque têm algum brinquedinho tecnológico mais moderno, como um celular ou game. A criança fica imaginando que as outras são ricas, mas ela não é. Quando faz essa pergunta aos pais, a criança só quer a confirmação de um pensamento que já tem formado. Pergunte a ela o que ela acha e por que ela acha aquilo. Você se surpreenderá com a forma como ela vê não somente a questão da riqueza material, mas como ela vê o comportamento da família com relação ao dinheiro. Explique que a questão da riqueza inclui outros itens que não só coisas materiais (saúde, felicidade, harmonia familiar, tranquilidade financeira, etc). Oriente para o fato de que ter algo de última geração não significa, necessariamente, ser rico e que você não sabe qual foi o esforço da família daquela criança para que ela pudesse ter aquilo. A verdadeira riqueza não consiste em você ter coisas, mas em ser quem você é, sem precisar provar ou mostrar nada a ninguém. Eduque seu filho para que ele seja feliz e saiba valorizar e ser grato por tudo o que ele tem.
O que diz a criança: "Compra, pai! Compra, compra, compra"!
Conceitos: gastar dinheiro, desejos, necessidades, escolhas inteligentes
Como você pode orientar seus filhos: Gastar com inteligência nada mais é do que realizar escolhas inteligentes com o seu dinheiro e não se deixar levar pela emoção do momento. Seu filho necessita ou só deseja? Crianças sempre querem o que as outras crianças têm, é natural. E se você perguntar a uma criança se aquilo é um desejo ou uma necessidade, é bem provável que ouça que tudo o que ela quer é uma necessidade. Cabe, portanto, aos pais, mostrar aos filhos que é possível termos as coisas que desejamos, mas é necessário um preparo antes de sair gastando. Use um exemplo familiar à criança para explicar a questão do preparo. Se ela deseja muito se sair bem em alguma prova, deverá se preparar. Talvez ela tenha que abrir mão de alguns dos seus dias para poder estudar, ao invés de só brincar. Vai ter que fazer uma escolha entre ir bem na prova para poder brincar com tranquilidade depois. Mostre que, com o dinheiro, não é diferente. Se a criança deseja muito comprar uma coisa, explique que os pais terão de se preparar para aquela compra, ou seja, talvez tenham que abrir mão de algo para poder ter o que parece mais necessário. Explique que é preciso se preparar e fazer escolhas com o dinheiro, para não ficar com zero no "boletim da vida". A vida é feita de escolhas e escolhas inteligentes é que nos levam a resultados positivos.
O que diz a criança: "Quando disseram que iríamos brincar com crianças em uma creche na periferia, fiquei com medo. Mas, depois de encontrá-las e brincar com elas, descobri que são crianças como nós, são só mais simples".
Conceitos: abundância, doação, diferenças, solidariedade
Como você pode orientar seus filhos: O imaginário das crianças é como uma caixinha mágica. Quando damos a elas a oportunidade de externar tudo o que cabe lá dentro, suas crenças, pensamentos e sentimentos, também somos tocados pela magia. A doação também faz parte da educação financeira, já que sua prática permite criar pensamentos de abundância de tudo para todos. Se eu estou doando meu tempo, meu sorriso, meus brinquedos, minhas roupas a quem necessita, significa que eu tenho mais do que suficiente para mim e posso fazer felizes aqueles que precisam mais do que eu. Crie a oportunidade e veja a magia da solidariedade acontecer.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Jovens empreendedores

Imagem: The Money Camp Brasil. Todos os direitos reservados

Temos um módulo sobre empreendedorismo em nosso curso de educação financeira para crianças e jovens, onde são convidados a gerirem um negócio próprio e depois realizamos a Feira do Empreendedor, onde eles podem expor seus produtos e realizarem negócios.

Os jovens são ávidos por empreender, mas muitas vezes encontram limitações por não encontrarem apoio em suas famílias que insistem no velho jargão: " Estude, tire boas notas e arrume um bom emprego."
Não há problemas quanto a estudar e tirar boas notas, mas também não há problemas em permitir que os jovens possam ser empreendedores desde cedo.

Limitá-los a acreditar que apenas com um bom emprego é que terão garantia de alguma coisa no futuro é o mesmo que matar o potencial criativo e empreendedor dos jovens ou dizer: " Não. Isso não é para você." É um verdadeiro banho de água fria.

Aliás, um estudo realizado com relação a tendência de carreiras para 2020, deixa claro que "As relações de trabalho sofrerão alterações significativas. Haverá uma diminuição dos postos de trabalho formais implicando que muitos profissionais terão que criar seu próprio emprego. Novas formas de venda das habilidades individuais surgirão e estarão cada vez mais direcionadas às formas autônomas.", então, por que não apoiar as idéias empreendedoras dos jovens para que tenham a oportunidade de experimentar seu "próprio emprego" ainda cedo? (http://avitech.com.br/vidaecarreira/2010/04/30/tendencias-de-carreiras-para-2020/) 

Instruindo nossos jovens desde já, dando-lhes a oportunidade de realizarem seu próprio ' negócio', eles poderão seguir mais auto confiantes e certos de suas escolhas profissionais futuras e saberão, por eles próprios, se desejam ter um " bom emprego" ou se preferirão ser bons empregadores. 

Somente para reflexão... 

Jovens que ficaram milionários antes dos 20 anos

O Buteco da Net fez uma lista com alguns jovens que conseguiram ficar milionários antes mesmo de completarem 20 anos de idade e contando também como chegaram a tal feito.

Uma verdadeira lição de vida para muitos.
 

Ephren Taylor II

Enquanto a maioria dos garotos de 12 anos pensam em curtir a vida, Taylor já começava a elevar sua fortuna com a criação do seu próprio game para Super Nintendo. Depois de vender 30 cópias para os amigos por 10 dólares e perceber que a maioria dos seus concorrentes faturavam alto, ele tomou a decisão de aumentar os serviços de assinantes. Como ninguém precisava falar com ele diretamente, pouco importava sua idade. “Quando eu recebi um cheque de US$ 3800 (de um varejista do ramo de vitaminas e suplementos), meus pais pensaram que eu estava vendendo drogas”, contou ele. E não parou por aí. Aos 16 anos, Taylor juntou-se com mais um amigo e criou um site para ajudar jovens estudantes a arrumar emprego – seus clientes: Citigroup e Pizza Hut. Pouco mais de 10 anos foram suficientes para transformar Taylor num dos investidores de um grupo de empresas que investe na revitalização de áreas urbanas.

Fraser Doherty

Acredite, aos 14 anos, Doherty começou a fazer doces usando a receita da avó. Originalmente, sua clientela era limitada aos vizinhos e amigos da igreja, mas o negócio progrediu tão rapidamente que aos 16 anos o garoto deixou a escola para dedicar-se integralmente ao seu trabalho. Com o crescente aumento da produção, Doherty resolveu fornecer suas geléias para uma rede de supermercados no Reino Unido, que foi copiada pelos concorrentes. Para ter uma ideia, no último ano, a SuperJam, como é chamada a geléia do garoto, rendeu US$ 1,2 milhão, 60% maior que o ano anterior. “Faço geléia porque amo fazer”, disse ele ao site Forbes. Realmente, o sucesso é muito doce.

 
Ashley Qualls

Aos 14 anos Qualls resolveu criar um portfolio pessoal com fotos e gráficos. Mais tarde, ela ofereceu seus layouts gratuitamente no MySpace e forneceu tutoriais para outros jovens dispostos a fazer o mesmo. Em pouco tempo o site atingiu 7 milhões de acessos por mês, fazendo com que Qualls recebesse uma oferta de US$ 1,5 milhões, que segundo ela, foi recusada. Agora, com 17 anos, Qualls é uma garota financeiramente independente.


Catherine Cook

Catherine, de 17 anos, e seu irmão perceberam que álbuns de formatura poderiam ajudá-los a ganhar algum dinheiro. Com um pouco de imaginação, eles resolveram desenvolver uma versão eletrônica via internet. Foi o suficiente para chamar a atenção do irmão mais velho que resolveu investir US$ 250 mil para criarem o myyearbook.com, uma espécie de rede social para quem se formou. Hoje o site é um sucesso, com redimento na casa dos milhões.

Cameron Johnson

Cameron desde garotinho é um verdadeiro empreendedor. Com apenas 9 anos ele começou a confeccionar convites para festas. Aos 11 anos, atacou de vendedor de bonecas, comprando-as da irmã e revendendo na internet 10 vezes mais cara. Mais tarde, com o dinheiro arrecadado, Cameron investiu num serviço de envio de e-mail e em anúncios do tipo ‘pirâmide’, em que os interessados pagavam pela publicidade. Segundo Cameron, antes de formar-se já tinha acumulado US$ 1 milhão. Hoje ele se mantém dando palestras.
 
Adam Hildreth

Com apenas 14 anos, o inglês Hildreth entrou no mundo dos negócios, iniciando uma rede social chamada Dubit Limited. Rapidamente grandes empresa, como a Coca-Cola começaram a utilizar o site entre os funcionários para comercializar seus produtos entre os jovens. Em 2004, ele foi considerado um dos adolescentes mais promissores do Reino Unido, com um patrimônio de US$ 3,7 milhões. Não satisfeito, o jovem fundou a Crisp, uma empresa especializada em desenvolver softwares para proteger crianças do assédio de pedófilos na internet. De acordo com um recente estudo, o software da sua empresa é capaz de detectar 98,4% dos casos de ataques pedófilos.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Ninguém gosta de reduzir despesas


Em cursos de educação financeira sempre você irá ouvir sobre reduzir despesas.
Veja bem: não há outro modo de fazer um " pé de meia" sem que você invista um pouco de dinheiro mensalmente.
Também, não há mal nenhum em gostar de gastar dinheiro, de viajar, de ir a restaurantes, de comprar coisas que você quer.

O fato é que sem um planejamento, nada disso é realizado de forma saudável e sustentável, porque qualquer um sabe que gastar mais dinheiro do que se ganha, a matemática não fechará na certa.

A questão é que ao longo dos anos (talvez, desde sua tataravó), fomos ensinados a ganhar dinheiro de forma limitada: estude, tire boas notas, faça faculdade, arrume um bom emprego, blá blá blá...
A limitação de se contentar em ter um bom emprego já reduz a possibilidade de sonhos que desejamos tornar real ao longo de nossa vida.
Claro que não é impossível construir sonhos independentemente da quantia de dinheiro que fazemos, mas sem dúvida, eles poderão demorar mais ou menos e serão maiores ou menores dependendo da quantia de dinheiro que fazemos mensalmente.

Portanto, há um limite com relação as despesas que você poderá cortar mensalmente, mas não há limites com relação a quantidade de dinheiro que você pode fazer.

A maioria das pessoas comenta que está ganhando pouco, que não sobra muito para investir em nada (nem na continuidade de cursos que poderiam fazê-la sair do lugar comum), que não está contente com o valor de salário que recebem mensalmente, mas em compensação, pergunte a qualquer pessoa se ela tem uma idéia para fazer mais dinheiro e ela fica estagnada.
Desculpas como: "eu já trabalho demais" ou " quem acharia boa e pagaria pela minha idéia ?" ou ainda " não tenho tempo para mais nada", são comumente ouvidas.

Então, é isto, ninguém gosta de ter que reduzir despesas, mas também são poucas as pessoas que arregaçam as mangas e vão a luta atrás de mais dinheiro.

E assim sendo, não há outro ensinamento a transmitir a não ser " reduza suas despesas".

Para que não entrem na mesma sintonia, não prive as boas idéias de suas crianças.
Permita que experimentem o empreendedorismo, incentive-as a usarem a criatividade para fazer dinheiro - dentro de um bom senso, obviamente e é para isso que os pais existem, para orientar seus filhos.

Não desperdice a genialidade de seus filhos e ajude-os a se tornarem adultos seguros com relação as possibilidades de sua vida, com a construção de seus sonhos, para que não precisem pensar em reduzir despesas porque foram ensinados sobre como construir e manter riqueza na sua vida e na vida dos outros.

Promova a educação empreendedora e financeira de seus filhos.

  



sexta-feira, 25 de junho de 2010

Educação Financeira

Imagem: dreamsimage
Como sempre venho mostrando, a educação financeira por si só (ensinar como ganhar dinheiro, poupar, planejar e investir, gastar com inteligência e doar), não transforma necessariamente as pessoas em cidadãs conscientes sobre seu papel no mundo.


Há muito mais valores éticos, morais e filosoficos que devem ser transmitidos de forma conjunta ou isolada para que a matéria " educação financeira" possa ser, de fato, transfomadora em termos pessoais e culturais.

Não se pode, pelo modismo que a palavra " educação financeira" ganhou nestes últimos tempos, trabalhar com "tentativas" de ensinar finanças a crianças e jovens, nem tampouco " aparecer" repentinamente com uma nova matéria que seja trabalhada de forma pontual. A educação - não só a  financeira - deve ser trabalhada de forma continuada, ao longo da formação das crianças e jovens, para que passe a fazer parte do processo educacional e, por isso, seja transformador. O ser humano aprende por modelos e através da repetição. Não há mágica na educação, mas para que a educação seja eficaz e tenha impacto, é necessário que o educador esteja engajado com a missão e que tenha ferramentas em mãos que permita despertar no aluno o desejo de aprender algo que será importante para a sua vida. 
 
Quantas vezes você teve que orientar seus filhos com relação a diversas coisas (higiene pessoal, responsabilidade com seus pertences e suas obrigações, etc etc etc), até que eles realizassem tudo isso de forma natural? Isto é um processo educacional. Pode levar anos...e, vamos combinar, ensinamos aos nossos filhos o que fomos ensinados. Não temos como ensinar o que não sabemos.
 
Então, até mesmo os pais que desejem iniciar com a educação financeira de seus filhos, devem estar engajados na missão, isto é, não basta querer ensinar, tem que conhecer sobre a matéria e aplicar para si mesmo o que quer se ensinar ao outro. Caso contrário, o ensinamento ficará perdido e desordenado, levando a consequencias desastrosas.

Como bem colocado na matéria abaixo (leia na íntegra), sem o devido preparo do educador e a abordagem dos temas financeiros de maneira adequada " (...) formaremos jovens gananciosos, individualistas e propensos a se corromper, (...)".



Educação financeira não é prioridade

21 de junho de 2010
Folha de S.Paulo (SP)

GUSTAVO CERBASI
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Antes da educação financeira, deveríamos garantir na escola o ensino da ética e da cidadania

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" É QUASE unânime a percepção de que adultos que foram orientados quanto ao bom uso do dinheiro fazem escolhas mais equilibradas, gastam menos com juros e, portanto, consomem com mais qualidade. Às vezes, também assumem as rédeas da construção de um futuro sustentável e poupam para ter uma vida tranquila ao se aposentar.

Ciente dos evidentes ganhos decorrentes da educação financeira, a sociedade comprou a ideia da necessidade de incluir o tema no currículo escolar de nossas crianças.

Mas, divergindo da opinião predominante e abrindo mão do fisiologismo que deveria ser inerente a minha profissão, discordo da ideia de que a educação financeira deva ser prioridade na escola. Talvez não estejamos preparados para isso. Para um programa funcionar bem no processo educacional, por mais estruturado que seja, temos que ter professores bem preparados no tema.

Finanças é mais do que fazer contas e controlar gastos. Estariam nossos professores realmente capacitados a debater assuntos como qualidade de consumo e projetos de longo prazo? Qual a motivação ou a capacidade de convencimento deles? Nesse ponto, creio que nossa sociedade está no caminho certo, promovendo o debate nos meios de comunicação. Aprender por curiosidade, e não por compromisso, é um meio interessante de disseminar o assunto e formar uma cultura.

Além disso, é questionável priorizar temas cujas bases não foram devidamente preparadas. Antes da educação financeira, deveríamos garantir nas escolas o ensino da ética e da cidadania. Sem isso, formaremos jovens gananciosos, individualistas e propensos a se corromper, qualidades que conhecemos muito bem na gestão pública que nos governa.

O brasileiro simplesmente não consegue pensar e agir coletivamente, e isso é uma falha de nossa educação. Com bases éticas e cidadãs, os futuros adultos estariam mais propensos a lidar com a doação e filantropia, pilares importantes da educação financeira.

Também antes da educação financeira, sinto a necessidade de desenvolvermos os conhecimentos de filosofia entre nossas crianças. Já presente no currículo escolar, o assunto recebe pouco importância e é tratado como conhecimento avulso.

Deveria ser mais estimulado, pois cidadãos conscientes são aqueles capazes de questionar seus valores, duvidar de argumentos vendedores e quebrar paradigmas na construção de sua carreira e de sua sociedade. Uma visão mais crítica da realidade em que vivemos certamente agrega valor a nossas ideias e aumenta o potencial de ganhos em nossa carreira.

Outra prioridade é a educação para o empreendedorismo. Antes de aprender a lidar bem com o dinheiro que ganhamos, devemos ser capazes de produzir riquezas. É lamentável imaginar que muitas famílias estimulem seus filhos a serem apenas bons empregados, ignorando que carreiras formais dificilmente vão além dos 60 anos. A vida pode ir bem mais longe.

Empreender é saber fazer planos, é encontrar meios de sustentar a vida sem depender da conveniência e da vulnerabilidade da carteira assinada. É saber convencer nossos pares de que somos capazes de fazer bem aquilo que ainda não nos deram oportunidade de fazer. Empreender não é simplesmente montar um negócio próprio, mas sim fazer algo diferente. Empresas que contam com funcionários de visão empreendedora têm um time de agregadores de valor, e não de burocratas.

O currículo escolar de hoje busca tempo e recursos para ensinar mais um idioma, mas tecnologia e mais qualidade de vida às crianças. Se, nessa competição dos conhecimentos, encontrarmos espaço para que nossos jovens sejam mais éticos, cidadãos, questionadores empreendedores, talvez já tenhamos dado um grande passo para que esses jovens construam uma cultura mais madura de bom uso do dinheiro.

Enquanto isso não acontece, seria muito bom que a educação financeira estivesse ao menos presente de forma interdisciplinar. Que tal começar com um debate entre pais e professores no próprio ambiente da escola?"

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Tudo é mais simples quando se é mais jovem

post de Ramit Sethi - autor best-seller do livro " I will Teach you to Be Rich"
, co-fundador do PBwiki e graduado pela Stanford

Eu não poderia deixar de transmitir estas palavras do  Ramit e que nós da Creative Wealth International (Money Camp no Brasil), modéstia à parte, realizamos tão bem: transmitir o conhecimento financeiro que crianças e jovens necessitam para realizarem escolhas financeiras inteligentes na vida adulta.




Toda vez que ouço alguém dizer " Eu sou muito ocupado" para fazer alguma coisa, um bicho de estimação morre e eu mesmo tenho vontade de fincar um kataná (sabre longo japonês) nos meus olhos. Eu acho que as pessoas não tem idéia do que elas podem realizar agora. Enquanto jovens, temos apenas responsabilidades conosco e podemos fazer praticamente qualquer coisa que a gente queira. Se você pensar sobre as responsabilidades que terá daqui a 20 anos - ou mesmo em 5 - você vai começar a gostar de saber que poder fazer quase tudo agora é mais fácil do que depois.

9 exemplos:

Economizar dinheiro é mais fácil quando se é mais novo. Se você acha que não consegue poupar 25% ou mais do que você ganha hoje, pense nesta situação: você não tem que gastar com ninguém mais a não ser com você mesmo e, enquanto seu salário aumenta, suas despesas continuarão as mesmas, desde que você inicie hábitos corretos agora. Vamos pensar nas despesas que você terá que assumir daqui a alguns anos: seguro, casa própria, seguro da casa, reformas, um carro, seguro de carro, manutenção do carro, seguro saúde, férias, doação, presentes de casamento, presentes de aniversário, viagens de formatura, babá, fraldas, leite especial para bebê, atividades esportivas para crianças e, finalmente, despesas inesperadas. Como escreveu Chris Yeh, " Esta manhã, calculei nossas despesas mensais e descobri que elas são cerca de 10 vezes maiores do que quando minha esposa e eu éramos solteiros vivendo por nossa própria conta.” Se você pensar que você será capaz de poupar mais no futuro do que hoje, você está no mínimo maluco. Leia meu site, leia outros sites, comece um planejamento e inicie um caminho.


Exercitar-se. Sendo jovens, estamos na nossa melhor forma natural. As pessoas praticam cooper no quarteirão próximo a minha casa  e, quando eu vou, vejo pessoas de mais idade suando feito o Patrick Ewing* depois de uma única volta. Eu mesmo ultrapasso esses senhores de 72 anos de idade várias vezes. Tudo é mais simples quando se é mais novo.

Comer em restaurantes fast food**. Como dizem os conhecedores da ciência, quando somos mais jovens nosso metabolismo também nos permite comer estas maravilhas engorduradas, a mais deliciosa comida da terra, sem que isto nos cause grandes transtornos Então, talvez não devessemos nos sentir tão culpados ao comer aqueles "saborosos" sanduíches dos restaurantes fast food.

Iniciar seu próprio negócio. Eis os motivos mais comuns que as pessoas se justificam por não iniciarem um negócio próprio enquanto são novas e que me deixam feliz em saber que eu não sou um dragão (meu suspiro poderia consumí-las): “ Eu vou esperar ter um pouco mais de dinheiro” ou “ Eu primeiro tenho que aprender mais antes de fazer isso.” Então, a maioria das pessoas não irá iniciar seu negócio próprio e isto é perfeitamente compreensível, mas, para aqueles que querem começar, não há nada melhor do que aprender, fazendo - até porque se você falhar, o que de pior poderá acontecer na sua idade? Você não irá perder sua esposa e filhos. Você vai e se emprega em alguma empresa. Você poderá ir em busca do mundo corporativo. Tornar-se empreendedor depois, vai ficando mais e mais difícil.

Eu vivi esta situação quando estava me formando na Universidade: a empresa Google me fez uma proposta dos sonhos de qualquer formando, minha posição dentro da empresa seria perfeita para o momento e as pessoas que trabalham lá são realmente inteligentes, a refeição é maravilhosa, mas eu decidi iniciar o meu caminho (na PBwiki) porque eu tenho tempo para  retomar o mundo corporativo, caso seja meu desejo. O pessoal da Google deu um super apoio.


Passar o tempo com os amigos. É mais fácil sair com os amigos agora do que no futuro. Por que? Porque de um modo geral, vivemos na mesma localidade, temos estilos de vida parecidos e, praticamente, só temos responsabilidades conosco mesmo. “Mas Ramit,” você poderá dizer, “a maior parte dos meus amigos moram distantes.” Mesmo que eles morem do outro lado do país, nós temos tão poucas responsabilidades financeiras que não é difícil pegarmos um trem, avião ou ônibus e atravessar o país para vê-los no final de semana. No meu outro blog ( Things I hate (Coisas que eu Odeio)), eu escrevi sobre as pessoas da faculdade que se casaram simplesmente por namorarem durante os anos da Faculdade. Que erro ! Não são todos os seus amigos que fizeram isto e nem todos estão em relacionamentos tão sérios nesta época. Se você tiver amigos casados, você saberá o que vou dizer: já tentou chamá-los durante os finais de semana para sairem juntos? É quase como uma girafa tentando achar um par de lentes de contato perdidas. Quase impossível. Somos jovens, nossos amigos são jovens e quase todos estão disponíveis para sair.


Fazer seu próprio projeto de vida. Pelo amor de Deus, nós temos mais tempo para realizar coisas agora do que quando formos mais velhos. “Mas Ramit,” você poderá dizer, “Eu trabalho 12 horas por dia, estudo para o meu MBA e ainda construo casas na Guatemala aos finais de semana. Você está falando porcaria.” Vamos cair na real: Nós temos muuuuito tempo que usamos para atividades de lazer – ou assistindo The Hills ( a Heidi me surpreendeu na quarta feira), fazendo ginástica ou seja lá o que for. A questão é, você consegue gerenciar o seu tempo e direcioná-lo para a realização daquilo que você realmente quer para você? Algo que terá impacto na sua vida nos próximos 5, 10, 20 ou 50 anos? A resposta é sim. Pense: em um futuro breve, você estará realmente ocupado e o tempo será curto para planejar sua vida.


Risco, investimento e vida. Vou descrever alguns medos que nós temos sobre pensar em investimento, mas você pode aplicar isto a qualquer área da sua vida.

Não se preocupe tanto em perder dinheiro. Não se preocupe tanto em ter uma alocação de ativos perfeita. Não se preocupe se seus amigos estão ganhando mais dinheiro do que você. Preocupe-se em ainda não ter começado a fazer nada.Em minhas palestras de uma hora, questiono às pessoas da mesma faixa etária que eu, o que aconteceria se perdessemos todo o nosso dinheiro naquele minuto. Após um minuto de inevitáveis suspiros, a maioria das pessoas admitem que não aconteceria nada de muito ruim - além do sentimento péssimo de perder dinheiro. Talvez alguns tenham que voltar a morar com os pais por uns poucos meses, centrar-se novamente e correr atrás do prejuízo. Agora pense o que aconteceria com alguém de 35 anos, casado, 2 filhos e um financiamento de casa própria? Perder parte (ou todo) do dinheiro nesta fase seria catastrófico. Agora imagine se isso acontecesse com você aos 65 anos de idade, aposentado, perder todo o seu dinheiro seria uma questão de vida ou morte.

Obter retornos financeiros mais elevados implica em maior risco. Na sua idade, você é bem mais tolerante a correr riscos - até tem um certo apetite por isso. Se investirmos bem no longo prazo, o tempo atenuará as perdas do curto prazo. Não, não estou dizendo para você perder todo o seu dinheiro. Estou dizendo que você  deve se informar e se educar para começar e, ainda assim, se você deixar uma brecha de medo tomar conta de você com relação a investir dinheiro ou não, tenha certeza de que você estará perdendo os melhores anos de juros compostos trabalhando para você e para o seu dinheiro se transformarem na sua independência financeira.


Encontrar pessoas interessantes. Você não acredita na quantidade de pessoas que querem partilhar conselhos e criarem conexões. Eu as encontro todo o tempo e não é porque eu sou um cara divertido (eu não sou) . Isto acontece porque eu sou jovem e curioso. Presidentes de empresas, Vice Presidentes de empresas, pequenos empresários e professores são muito amigáveis quando se trata de transmitir conhecimento. Acho que isso acontece por conta de 3 fatores: 1) As pessoas adoram falar sobre elas mesmas e eu sou interessado nas estórias de vida dessas pessoas. 2) As pessoas adoram conversar com pessoas mais jovens, seja para partilhar suas experiências ou simplesmente por gostarem de conversar com pessoas mais jovens porque também se sentem aprendendo sobre outros pontos de vista mais atuais. 3) As pessoas adoram saber que as intenções são puras quando você se interessa em saber algo novo como aprendizagem. Quem sabe o que aconteceria se você só perguntasse? No mínimo, iria aprender algo interessante sobre outra pessoa.


Viajar.  Você acha que quando tiver 30 anos você estará no mesmo pique de passar o final de semana em alguma praia, chegar em casa às 5 da manhã e ir trabalhar na segunda feira às 8 hs? Esqueça. Eu não tenho 30 anos, mas não parece que os caras de 30 sofrem de problemas nas juntas  e de incontinência? Brincadeira, espero que eu não tenha problemas assim. De qualquer forma, viajar para passear (ou mesmo morar) é incrivelmente mais simples quando somos mais novos. Para passear, você pega aquelas promoções de empresas aéreas que custam R$ 100,00 ida e volta para qualquer canto do país. Para morar, você escolhe o lugar, arruma um trabalho que pague suas despesas e pronto. Viveu uma aventura. Sem contar o tanto de aprendizagem e cultura que você ganha vivendo em um lugar diferente do seu.


Viver em situações que seus pais abominariam. Quanto mais idade vamos alcançando, vamos ficando mais exigentes com relação ao nosso conforto. Quando viajamos, por exemplo, ficamos em um albergue da juventude e tudo bem. Pessoas depois dos 30 já preferem ficar hospedadas em pousadas mais ajeitadas e confortáveis, depois dos 35 anos, as pessoas querem ficar em hotéis. Na Faculdade, moramos em repúblicas, apertados, compartilhamos banheiros e tudo parece divertido. Nossos pais, por exemplo, medem o tamanho da casa em centenas de metros quadrados e as cozinhas tem " ilhas" (Uma coisa engraçada: se você mora em uma república, observe a cara de alguns pais que chegam para visitar o quarto em que seu filho irá compartilhar e... trazem lençóis de linho da Target ***? Meu Deus!) Tudo bem, o ponto é que vivemos super bem em espaços que, certamente, não iremos querer viver mais quando ficarmos mais velhos. Isto significa que economizar no valor do aluguel vivendo em um lugar mais barato ou dirigir um carro com 10 anos de uso ou apenas pensar que você não precisa de muito…tudo é mais simples quando se é mais novo.


Pense sobre isto.
Este será apenas mais um artigo de blog que você leu e sua vida vai continuar como está ou você poderá pensar em algo concreto, AGORA, que realmente você quer fazer porque é melhor fazer agora porque tudo é mais simples enquanto se é mais novo?


* Patrick Ewing - ex jogador jamaicano astro da NBA e atual assistente técnico do Orlando Magic
** Estudos mostram que o nível ideal  de consumo de alimentos fast food, para evitar problemas de obesidade e colesterol alto, é frequentar estes locais apenas 2 vezes na semana (e quando se é mais novo!)
*** Target - loja de Departamentos americana que vende todos os tipos de produtos de marcas famosas a preços imbatíveis

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Filho, Papai Noel não existe.


Ao longo destes 3 anos trabalhando educação financeira com crianças e jovens, percebo que nós, os pais, somos grandes impeditivos para o crescimento de nossos filhos.
Sim.
Quando pensei nisto, enquanto mãe leitora fiquei " rosa pink choque".
Quando pensei nisto, enquanto educadora financeira percebi que as crianças não estão sendo preparadas para encontrar a vida real e fiquei preocupada.

Pois bem, ao abrirmos o canal de comunicação sobre dinheiro com crianças e jovens, é nítido o fato que as famílias não gostam de conversar ou " escondem" dos filhos a real situação financeira da família.
Tudo bem, não fomos ensinados a educar filhos financeiramente.
O que preocupa é que, além de não abrir o canal de comunicação sobre dinheiro, não estamos permitindo que nossos filhos sonhem.

Neste último acampamento de 2009, entre 25 crianças e jovens, conversávamos sobre alcançar objetivos e realizamos que as crianças e jovens sonham muito, mas infelizmente tem pouca idéia sobre como eles mesmos devem fazer para alcançar seus próprios sonhos.

Ah, mas o que é sonhar ?

Sonhar é ter a intenção de querer conquistar coisas, alcançar objetivos, atingir metas, realizar feitos e, sim, nossas crianças estão sendo impedidas de sonhar.

Por terem tudo muito à mão, por pedirem e simplesmente serem atendidos (seja a que custo for e a quantas parcelas forem), as crianças e jovens acham que sonhos acontecem como mágica.
Questionamos com os mais velhos, cujo sonho declarado é ter um carro aos 18 anos (aposto que você também já sonhou isto antes dos 18), como fariam para alcançar isto e a resposta foi....esperar fazer 18 anos. :-(
Isto significa que eles acreditam que os pais irão suprir e realizar todos os seus sonhos (não estou colocando a questão da classe social aqui porque a educação em geral - e especificamente neste caso a financeira - independe dela) e, quem sabe...para sempre ?! (glup)

Aos pais que creem que sofrerão caso o filho jamais queira sair de casa e ter responsabilidades próprias sem ter que contar com o apoio dos pais, que desejam fortemente que seu filho assuma uma vida adulta saudável e responsável, caberá então dialogar desde já sobre o que sonha ser quando crescer, se ele tem em mente um desejo ou intenção por algum brinquedo (se forem menores), games, mp alguma coisa, celular com não sei o que, sobre uma profissão específica ou negócio próprio e por que sonha com isso e como pretende alcançar estes objetivos e assim por diante.

Se quisermos que nossos filhos sejam realizadores e realizados, deverá haver um momento na vida deles em que teremos que contar que "Papai Noel não existe! " , " Coelho da Páscoa, não existe!" e a " Fada do dente, também não existe!"

Ser muito permissivo e suprir os filhos com todos os desejos que eles tem - desde os mais simples até os mais complexos e caros -  os inibem de sonhar e, principalmente, de crescer.

Feliz Natal e que em 2010 alcancemos todos os nossos objetivos !!! (aliás, você já listou os seus?)

Abraços.

P.S.: Deixo como indicação de leitura para este Natal: " O Homem Mais Rico da Babilônia "