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sábado, 28 de janeiro de 2012

Eu amo liquidações.

No início do ano sempre procuram especialistas para falarem sobre como o consumidor deve se comportar diante das grandes liquidações que as grandes lojas apresentam pela televisão.
Quando vejo anúncios de “ Só até o próximo sábado” e aquele mundo de produtos sendo transportado por empilhadeiras que passam para lá e para cá atrás do anunciante, chego até a  ficar com a sensação de que “ a hora é agora!”.
Claro que todo o marketing foi feito para que eu sinta isso mesmo e faça uma conta rápida, levante do sofá, pegue a bolsa, confira se o cheque, cartão de débito e crédito estão lá (ah, sim, não se pode correr riscos nestas oportunidades únicas), entre no carro, no ônibus, no trem ou qualquer meio de transporte que me faça chegar até a primeira loja da rede mais próxima e saia de lá com coisas que talvez eu nem precise, mas “já que está barato, eu vou aproveitar e comprar.”
Muitas vezes, o ímpeto da compra é tão grande, que o consumidor nem sequer questiona se o preço à vista é o mesmo do parcelado. Ele simplesmente paga, porque acredita que já está barato. 
Há lojas que anunciam que o preço só é válido se o pagamento for à vista.
Tive um exemplo disto bem aqui em casa.
Anunciaram essas liquidações e noticiaram que uma panela de pressão custaria R$ 7,00!!!
Fiquei imaginando o erro de cálculo de quem quer que seja que tenha feito esta previsão de que as pessoas estariam alucinadamente comprando panelas de pressão no final de ano. O erro deve ter sido feio, a ponto da rede precisar vendê-las a R$ 7,00!!!! Qual é o preço de uma panela de pressão mesmo?
O fato é que uma funcionária passou a madrugada inteira na fila para comprar uma única panela de pressão e questionei-me: “ Será que ela ficou esperando este momento da vida para poder ter ou trocar a panela de pressão?”. Não. Ela passou a noite em claro, em uma fila, para comprar uma panela de pressão só porque estava barato mesmo.
Alguém já se deu conta de quanto tempo dura uma panela de pressão das boas? É capaz de ficar passando de geração a geração.
R$ 7,00 para ficar a noite inteira de plantão, trabalhar com sono no outro dia, sem nem precisar daquilo?? Claro que cada um que escolha o que quer fazer com sua própria vida, mas pensando friamente, quanto valeu de verdade essa panela de pressão? Realmente, isso é que eu chamo de auto depreciação.
No dicionário, encontramos o seguinte significado para a palavra Liquidação:
É um substantivo feminino e significa “ato ou efeito de liquidar. Operação que tem por fim o acerto de contas; pagamento; resgate: liquidação de dívida.
Venda de mercadorias a preços módicos, tendo em vista uma saída rápida.
Na Bolsa, normalização dos negócios mediante entrega de títulos adquiridos ou pagamento de diferenças.”
Então, pense: por que as lojas insistem que os preços anunciados só são válidos se você pagar à vista?
Agora, pense de novo: inflado pelo desejo de comprar porque você viu a possibilidade de comprar algo que você deseja (não exatamente necessita), quem liquidou a dívida e quem ficou com um buraco no orçamento, porque comprou por impulso?
Quem são as pessoas, então, que deveriam estar nestas liquidações de início do ano? Pessoas que se planejaram com seu dinheiro ao longo ou final do ano, para aproveitarem as oportunidades das liquidações exatamente nesta ocasião.
Lembre-se que o fato de um produto estar barato, isto não significa que você tenha que compra-lo.
Se eu gosto de liquidações? Eu amo liquidações, mas em primeiro lugar prefiro agradar a mim mesma liquidando as minhas próprias contas, ao invés de sair que nem um tatu ,"esburacando" o orçamento pessoal e acabando com o planejamento de realização de vida.
Seja feliz com o seu dinheiro e realize compras de forma consciente.
Paz e luz.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Décimo terceiro, para onde você vai?

 dreamsimage.com
Saiba o melhor a fazer com a primeira parcela do 13º salário



O abono de final de ano de 60% dos brasileiros será para pagar dívidas, aponta pesquisa da Anefac

28.11.2011
Victor Albuquerque
victor.silva@redebahia.com.br


O dinheiro do 13º salário da atendente de telemarketing Jose Ferreira nem vai esquentar no bolso. Sairá do banco direto para a mão dos credores. Ela quer quitar a dívida de dois cartões de crédito e pagar parte de um terceiro débito que, juntos, somam R$ 700. O abono de final de ano de 60% dos brasileiros terá o mesmo destino que o de Jose, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Opção essa que, na visão dos especialistas, é a mais inteligente para quem tem dívidas e quer começar 2012 no azul.

“Pagar os débitos é sim um bom negócio. É o primeiro passo para conseguir organizar a vida financeira”, explica o especialista em finanças Gilberto Braga. Mas, de acordo com ele, antes de sair por aí pagando tudo o que deve, é preciso usar o dinheiro com inteligência. “Planejar é a palavra de ordem. É importante colocar no papel as dívidas e os gastos que se pretende fazer, desde presentes até o dinheiro que será poupado para férias, impostos, despesas de casa, entre outras coisas”.

Educadora financeira, Silvia Alambert concorda com Braga quando ele diz que o melhor a fazer é pagar o que se deve. E ela ensina: o ideal é quitar aquela dívida que tem taxas de juros mais altas, como cartão de crédito e cheque especial.

Para quem está encalacrado em mais de um lugar, ela diz que o melhor a fazer é saldar pelo menos um débito por inteiro.

“Quem paga tudo um pouquinho não paga nada. A pessoa pode se livrar logo de um credor e negociar com os demais, ajustando depois as parcelas no orçamento”, ensina.

O que não pode, segundo os especialistas, é pagar tudo e depois se enrolar com novos parcelamentos. “Se o momento não está bom, nada de sair distribuindo presentes caros”, alerta Silvia.

Além disso, Braga lembra que o início do ano estará repleto de novas contas a pagar, como matrícula escolar (para quem tem filhos), IPVA (para os motorizados), IPTU, entre outros. “Tem que se organizar de olho nesses eventos”, orienta.

Mas, se não dá para deixar o Natal passar em branco, a dica é limitar os gastos. Fazer uma lista com o nome de quem será presenteado e estabelecer um valor máximo para o presente. “Quando se faz uma referência de valor, funciona melhor no planejamento”, garante Braga. Para Silvia, é preciso ter muita calma nessa hora. “Não tem nada de inteligente em estar endividado e gastar com presentes. Então, a saída é evitar produtos caros e financiamentos”.

Este ano, o 13º salário injetará R$ 118 bilhões na economia brasileira, sendo R$ 4,9 bilhões na Bahia, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em todo o estado, 4,3 milhões de trabalhadores e aposentados receberão o benefício.
 
Investimento

Para quem está livre dos débitos, investir o dinheiro do 13º salário pode ser um bom negócio. Braga indica a poupança e os fundos de renda fixa. Já Silvia acredita que o dinheiro pode ser aplicado, inclusive, em ações. “Hoje é possível investir nesse mercado com até R$ 100”, explica. Segundo ela, é importante, nessas horas, buscar um especialista que vai avaliar o seu perfil financeiro e indicar o melhor negócio para se investir.
Mas é bom saber que os três casos só trarão um retorno positivo se a pessoa estiver pensando a médio e longo prazos. “Não adianta aplicar se na primeira emergência tirar o dinheiro do banco”, diz.
 
Momento de pagar

Para os especialistas, essa é a hora de buscar as financeiras e operadoras de cartão para negociar débitos. Isso porque, de olho no consumo de final de ano, as empresas tendem a oferecer melhores condições de negociação das dívidas. “O melhor momento para pagar as contas antigas é agora”, diz Silvia.
 
De acordo com a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor - Proteste, quem tem dívidas deve aproveitar as diversas opções oferecidas pelas financeiras, lojas e bancos, como alongamento dos prazos, desconto para quitações à vista e abatimento nas taxas de juros ou multas que normalmente são oferecidos nesse período.

Presentes de Natal ficam em segundo plano

De acordo com levantamento da Anefac, houve uma redução de 10,53% de 2010 para 2011 no número de consumidores que pretendem utilizar o 13º para a compra de presentes. Segundo o coordenador da pesquisa, Miguel Oliveira, isso demonstra maior dificuldade e preocupação dos consumidores com os gastos este ano.

Já para o especialista em finanças Gilberto Braga, o cenário indica que o consumidor está mais endividado e, por isso, evitando certos tipos de gastos. “Não acredito que o brasileiro está mais consciente ou cauteloso a ponto de deixar de comprar para pagar dívidas. O que existe é uma regularização da situação daqueles que estão endividados. Eles estão se adequando as suas atuais necessidades”, pontuou.

Segundo o estudo, houve também uma redução de 33,33% no número de consumidores que pretendem utilizar o 13º salário para compra e reforma de suas residências. Com relação às dívidas, a tendência de 70% dos entrevistados é quitar débitos do cartão de crédito e do cheque especial.

O cartão de crédito, inclusive, ainda é a linha com maior peso na composição das contas em aberto, tendo atingido, em 2011, 39% do total (crescimento de 2,63% sobre 2010) contra 37% do cheque especial (elevação de 5,71% sobre 2010). Referente aos gastos em 2011, 72% dos consumidores pretendem gastar no Natal até R$ 500 contra 67% em 2010.

A pesquisa demonstra ainda um aumento de 2,70% na intenção dos consumidores de pagar os débitos com recursos próprios e uma redução de 9,09% no número de pessoas que deverão utilizar financiamento bancário. De qualquer forma, a maioria dos consumidores (80%) quer usar os cartões de crédito nas compras de Natal este ano.